Economia | 11-02-2026 18:00

Economia de Santarém recupera, mas salários baixos continuam a travar qualidade do emprego

Economia de Santarém recupera, mas salários baixos continuam a travar qualidade do emprego

Distrito de Santarém dá sinais consistentes de recuperação económica, com mais empresas, crescimento das exportações e estabilidade no emprego. No entanto, os dados mais recentes do INE revelam que a maioria dos trabalhadores continua a receber salários abaixo da média nacional, num mercado laboral fortemente dependente do sector dos serviços.

O distrito de Santarém tem vindo a registar sinais claros de recuperação económica, com aumento da actividade empresarial, crescimento das exportações e estabilização do emprego, acompanhando a tendência nacional de retoma pós-pandemia. No entanto, os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística mostram que o mercado de trabalho continua marcado por salários abaixo da média nacional e por uma forte dependência do sector dos serviços. Em 2022, o distrito contava com mais de 48 mil empresas, representando cerca de 3,4% do total nacional, com uma estrutura económica dominada pelo sector terciário, onde se concentram a maioria dos postos de trabalho. Comércio, transportes, restauração e apoio social são algumas das áreas com maior peso no emprego, reflectindo a realidade de muitos concelhos do distrito.
Entre os principais empregadores destacam-se os supermercados e hipermercados, as instituições de apoio a idosos, as empresas de transportes rodoviários de mercadorias, a construção civil e a restauração. A indústria transformadora mantém também um papel relevante, sobretudo ligada ao sector agroalimentar, curtumes e panificação, actividades com forte tradição na região.
Após a quebra registada em 2020, o volume de negócios das empresas voltou a crescer, ultrapassando os 16 mil milhões de euros em 2022, um sinal de recuperação sustentada da economia local. Também o comércio internacional apresentou um desempenho positivo, com as exportações do distrito a atingirem valores superiores a 2,3 mil milhões de euros em 2023, reforçando a importância da logística e da indústria exportadora no território. Apesar deste crescimento, o relatório evidencia que o ganho médio mensal por trabalhador em Santarém continua abaixo da média nacional. O sector secundário apresenta os salários mais elevados, enquanto o sector terciário, onde se concentra a maioria do emprego, regista rendimentos mais baixos, sobretudo entre as mulheres. As diferenças salariais de género mantêm-se visíveis em praticamente todos os sectores de actividade.
Outro traço marcante do tecido económico do distrito é a predominância de micro e pequenas empresas. Uma grande parte dos trabalhadores está empregada em estabelecimentos com menos de 50 trabalhadores, o que limita, em muitos casos, a capacidade de oferecer salários mais competitivos e progressão profissional. Num contexto nacional em que a taxa de desemprego se encontra em mínimos históricos, Santarém acompanha a tendência de estabilidade no emprego, mas enfrenta desafios estruturais bem conhecidos: salários baixos, envelhecimento da população activa e dificuldade em reter jovens qualificados.

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