Economia | 11-02-2026 21:00

Projecto europeu Life-Predator para combater a expansão do siluro

Projecto europeu Life-Predator para combater a expansão do siluro
Operação do projecto LIFE PREDATUR, co-financiado pela União Europeia, visa o controlo do siluro em ecossistemas fluviais - foto DR

Participação dos pescadores e do público é essencial para conter a invasão desta espécie invasora. Devolução à água e transporte vivo da espécie são proibidos.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa é parceira no projecto europeu Life-Predator, que visa prevenir, detectar e combater a expansão do peixe-gato-europeu (Silurus glanis) em lagos e albufeiras do sul da Europa, para proteger a biodiversidade aquática.
Espécie invasora em Portugal, chegou em 2006 ao rio Tejo, proveniente de populações invasoras em Espanha, mas tem vindo a expandir-se para outros locais por ação humana. Este predador de topo pode ultrapassar os dois metros de comprimento e provocar fortes desequilíbrios ecológicos, consumindo várias das nossas espécies nativas de peixe, já ameaçadas por factores como a poluição e alteração de habitat.
O projecto actua em dezenas de massas de água em Portugal (25 albufeiras), Itália (23 lagos) e Chéquia (2 lagos), envolvendo investigadores, pescadores, administração e comunidades locais.
Em Portugal, foram efectuadas monitorizações das comunidades piscícolas para avaliar o estado de seis albufeiras localizadas na bacia hidrográfica do Tejo, concretamente Meimoa, Tejo Internacional, Fratel, Belver, Pracana e Montargil. Verificou-se que, por exemplo, 51% da biomassa piscícola capturada no Tejo Internacional era de siluro e na albufeira de Belver, esse valor atingiu 93%.
Uma vez que a prevenção de introdução em novos locais é uma prioridade, foram organizadas equipas operacionais com pescadores e voluntários para reporte de novas populações desta invasora. Também têm sido desenvolvidas diversas acções de sensibilização dirigidas ao público, em escolas principalmente nos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Santarém. No sentido de melhor a fiscalização junto dos pescadores lúdicos, realizaram-se três acções de formação para a GNR (SEPNA e Guarda Florestal) e para o ICNF.
Estão a ser realizadas acções recorrendo a pesca direccionada a esta espécie, seguidas da avaliação das comunidades locais de peixe para seguir a sua recuperação. Até agora, foram capturados mais de 450 siluros em várias albufeiras perfazendo um total de cerca de 5 toneladas desta invasora. Por exemplo, em apenas 4 dias, no rio Pônsul (Tejo Internacional) retiraram-se 1200 kg mostrando a elevada abundância desta espécie num Parque Natural.
O projecto promove ainda a valorização gastronómica da espécie com chefs portugueses a desenvolver receitas diversas e acções de degustação. Esta abordagem poderá aumentar a pesca comercial da espécie e, de certa forma, mitigar o impacto da espécie e permitir alguma diminuição ou controlo das suas populações em Portugal.
A participação dos pescadores e do público em geral é essencial para travar novas introduções, recordando-se que a devolução de espécies invasoras à água e o seu transporte vivo são proibidos por lei e estão sujeitos a coimas elevadas.
Neste projecto estão envolvidos investigadores de três Centros de Investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o MARE/ARNET - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente - focado no estudo de ecossistemas aquáticos, o CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – focado na avaliação das alterações ambientais, e o IDL – Instituto Dom Luiz – na avaliação de risco ambiental.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias