“São as empresas que criam emprego e ajudam a fixar pessoas nas regiões”
Gonçalo Eloy é sócio-gerente da AgroRibatejo, que comemorou 72 anos de actividade a 9 de Março, e é uma empresa de cariz familiar que comercializa peças sobressalentes para máquinas agrícolas e industriais, representando diversas marcas de topo.
O Feriado Municipal de Santarém (19 de Março), este ano, calha a uma quinta-feira. É uma tentação fazer ponte no dia seguinte?
Antes de falar em ponte, é importante referir o nosso compromisso para com o cliente. Particularmente nunca desligo o telemóvel pois temos sempre clientes que nos solicitam material nos feriados e
fins-de-semana. As máquinas não escolhem hora para avariar e não gostamos que os nossos clientes fiquem com máquinas paradas no terreno. Por norma não fazemos ponte, mas tentamos sempre equilibrar a necessidade de descanso dos colaboradores, com as exigências da actividade.
Costuma participar nas festas da cidade?
Sempre que possível, participo nas festas da cidade, seja através da presença nas iniciativas organizadas, seja acompanhando alguns eventos com clientes e amigos. É também uma forma importante de valorizar as tradições locais e promover o convívio na comunidade.
Destaca alguns pontos do programa deste ano?
Este ano, comemoram-se os 80 anos da Orquestra Típica Scalabitana e deverá ser interessante o concerto do dia 14 de Março, no Convento de São Francisco. Conto também ir à Monumental Celestino Graça, no dia 21 de Março, para assistir à primeira corrida da temporada de 2026, que terá lugar na nossa cidade.
Pelos indicadores que vão sendo divulgados, a economia nacional tem registado melhorias. Sente isso no dia-a-dia da sua empresa?
Apesar de alguns indicadores positivos na economia, no dia a dia da empresa a realidade continua desafiante. Sentimos muitas pressões ao nível dos custos, da carga fiscal e situações burocráticas. O mês de Dezembro foi muito parado e normalmente é o mês que temos uma facturação interessante. Tal não aconteceu. Janeiro e Fevereiro, por causa das intempéries, tem sido um descalabro. As máquinas não conseguem entrar nos terrenos e muitos dos nossos clientes estão parados.
O que diria ao Primeiro-Ministro se tivesse oportunidade de estar com ele e soubesse que ele estava disposto a ouvi-lo?
Diria que é muito importante ouvir mais as pequenas e médias empresas, porque são elas que sustentam grande parte da economia e do emprego no país. Existem medidas que podem fazer a diferença no dia-a-dia das empresas, como alargar ainda mais, mesmo após a última revisão, e simplificar o regime de IVA de caixa, que permite às empresas só entregarem o IVA ao Estado quando recebem efectivamente dos clientes.
E em relação aos trabalhadores?
Sensibilizava-o para o facto de todos compreendemos a importância de melhorar os rendimentos dos trabalhadores, mas os sucessivos aumentos do salário mínimo também devem ser acompanhados por medidas que aliviem os encargos das empresas. Caso contrário, muitas PME acabam por sentir uma pressão financeira difícil de suportar.
Tem tido dificuldades na contratação dos recursos humanos de que necessita?
Sim, essa tem sido uma dificuldade crescente. Somos exigentes na contratação, pois procuramos colaboradores qualificados que tragam estabilidade à empresa e queiram continuar este percurso connosco. Esta dificuldade é um desafio que muitos sectores estão actualmente a enfrentar.
Quando há campanhas eleitorais os candidatos costumam definir prioridades, normalmente: segurança, habitação, saúde. São as suas prioridades ou preferia outras?
As áreas referidas são importantes, mas penso que também deveria haver uma prioridade clara no desenvolvimento económico e no apoio às empresas. São as empresas que criam emprego e ajudam a fixar pessoas nas regiões. Para territórios como Santarém, é essencial apostar na atracção de investimento e em mais oportunidades para os jovens.
A cidade e a região centro viveram um momento difícil com a chamada depressão Kristin. Foi afectado de alguma forma?
Felizmente, o impacto directo não foi muito significativo, mas foram dias super complicados em toda a região. Achei lamentável o ruído criado em torno de todos aqueles que estavam a dar o seu melhor, incluindo a Protecção Civil. As redes sociais são muitas vezes responsáveis pela disseminação de contra-informação. É fácil denegrir a imagem das pessoas quando se está atrás de um ecrã.
O que continua a fazer muita falta na cidade e no concelho de Santarém?
O tema não é recente. A insegurança das barreiras deve ser tida em conta. Vamos continuar a ter mudanças de clima e condições adversas por isso deve-se debater este tema com muita seriedade e concordância. Terá de haver um esforço financeiro para investimentos estruturais invertendo a tendência de degradação em algumas zonas.
Os jovens da sua família, ou seus conhecidos, estudaram sempre em Santarém e ficaram a trabalhar na região, ou tiveram que sair e não voltaram?
Conheço jovens que estudaram em Santarém e tiveram a oportunidade de abraçar projectos locais. Felizmente foi o meu caso. Tenho também amigos que estudaram fora de Santarém, iniciaram projectos noutras cidades e que hoje estão de volta à cidade. É bom sinal.
Quer acrescentar algo?
Santarém tem um enorme potencial e devemos valorizar a nossa região. Que os escalabitanos vivam a cidade, vivam os seus bairros, saiam à rua e aproveitem as oportunidades culturais e desportivas que ela oferece. Comprem localmente e aproveitem tudo o que Santarém tem para dar.


