Economia | 14-03-2026 12:00

Sindicato denuncia ameaças na Nobre e anuncia queixa após 27.ª greve em Rio Maior

Sindicato denuncia ameaças na Nobre e anuncia queixa após 27.ª greve em Rio Maior
foto arquivo

Conflito laboral na Nobre subiu de tom: o sindicato acusa chefias de ameaçarem trabalhadores com contratos não renovados para travar a adesão ao protesto e anuncia uma queixa em tribunal. A empresa rejeita as acusações e garante manter diálogo aberto com os colaboradores.

Os trabalhadores da Nobre, em Rio Maior, cumpriram esta quarta-feira, 12 de Março, a 27.ª greve desde 2023, num protesto marcado por novas acusações de coacção e intimidação feitas pelo sindicato contra chefias e direcção da empresa. Em causa está, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB), a alegada pressão exercida sobre trabalhadores com contratos a termo para que não aderissem à paralisação.
De acordo com o dirigente sindical Diogo Lopes, a adesão ficou abaixo do habitual não por quebra de mobilização, mas por receio entre os funcionários mais vulneráveis. O sindicalista assegura que, nos últimos dois dias, houve trabalhadores contratados a serem avisados de que, caso fizessem greve, os contratos poderiam não ser renovados. Face à gravidade das acusações, o SINTAB anunciou que vai avançar com uma queixa em tribunal contra as chefias envolvidas, considerando inadmissível qualquer tentativa de condicionar o direito à greve.
A paralisação insere-se num longo braço-de-ferro laboral que se arrasta há mais de dois anos. Os trabalhadores contestam a recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo, que incluía inicialmente um aumento salarial de 150 euros, reforço do subsídio de refeição, valorização do trabalho nocturno, criação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim da contratação precária. Entretanto, os trabalhadores baixaram a exigência salarial para 50 euros, mas, ainda assim, não houve entendimento. Segundo o sindicato, as várias reuniões de conciliação promovidas pela Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, a última das quais realizada em 5 de Fevereiro, não produziram resultados. Diogo Lopes acusa a empresa de manter uma posição de bloqueio total, recusando aumentos salariais ou resposta às restantes reivindicações, apesar de, sublinha, ter registado um resultado líquido de 2,1 milhões de euros no último ano e estar a investir cerca de nove milhões de euros em painéis solares e tecnologia. Perante o impasse, os trabalhadores decidiram não participar em mais reuniões de conciliação e marcaram nova greve para 6 de Abril.
Contactada pela Lusa, a Nobre rejeitou em absoluto qualquer ligação entre a menor adesão e alegadas pressões internas. A empresa sustenta que o pré-aviso foi apresentado por um único sindicato, o SINTAB, que diz representar cerca de 3% da força de trabalho. Dos 755 colaboradores, a administração estima que o impacto da greve tenha ficado abaixo dos 10% de ausências, embora admita não dispor ainda de um número final, por existirem faltas por motivos pessoais. Na resposta enviada à agência Lusa, a Nobre enquadra esta greve num movimento sindical mais vasto ligado ao chamado “Pacote Laboral”, negando que se trate de uma reacção específica à empresa.

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