Comunidades de energia renovável aprovadas em Abrantes com contestação da oposição
Projecto para autoconsumo colectivo e criação de três comunidades de energia renovável passou só com os votos do PS. Oposição acusa executivo de querer avançar com um processo de grande impacto sem tempo suficiente para análise.
A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou, a 27 de Fevereiro, a autorização para a celebração de um contrato interadministrativo com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) para a criação de um sistema intermunicipal de autoconsumo colectivo de energia e de três Comunidades de Energia Renovável (CER) no concelho. A proposta, que prevê a instalação de painéis solares em edifícios públicos e a produção de energia para consumo próprio e zonas industriais, passou com os votos favoráveis do PS e os votos contra de PSD, ALTERNATIVAcom, CDU, CDS e Chega.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, defendeu o projecto como uma aposta estratégica na redução dos custos energéticos e no reforço da autonomia do concelho. Segundo o autarca, o objectivo é aproveitar coberturas de edifícios municipais para produzir energia, baixar despesas e aumentar a competitividade do território, nomeadamente nas zonas industriais. A oposição contestou sobretudo a forma como o processo foi levado à assembleia. Pedro Grave, do movimento ALTERNATIVAcom, pediu a retirada do ponto, lembrando que os deputados receberam apenas uma semana antes uma documentação com cerca de 280 páginas. Já João Fernandes, do PSD, classificou o procedimento como “uma injúria à assembleia municipal”, alertando que está em causa uma decisão com efeitos a várias décadas. Também a CDU levantou reservas. O deputado João Chaleira Damas considerou que o projecto é “demasiadamente grandioso” para ser aprovado sem explicações técnicas detalhadas.
Manuel Valamatos reconheceu a complexidade do processo e admitiu que poderia ter existido mais informação prévia aos eleitos. Ainda assim, garantiu que a deliberação não significa a assinatura imediata de contratos. “Neste momento não estamos a assinar nenhum contrato. Estamos apenas a transferir para a comunidade intermunicipal a competência de desenvolver o procedimento”, explicou, comprometendo-se a levar técnicos especializados à próxima sessão da assembleia para esclarecer dúvidas.


