Economia | 22-03-2026 21:00

“Dados pessoais são o petróleo do século XXI”

“Dados pessoais são o petróleo do século XXI”
Luís Garcia foi orador convidado de palestra em Tomar onde alertou para a falta de preparação perante o avanço da tecnologia - foto O MIRANTE

A Inteligência Artificial pode vir a provocar uma transformação radical no mercado de trabalho e deixar grande parte da população desempregada a médio prazo. O alerta foi deixado por Luís Garcia, doutorado em Informática, durante uma palestra promovida pelo Rotary Club Tomar Cidade, que levou à Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina um debate sobre os riscos, desafios e dilemas de uma tecnologia que, segundo o orador, avança muito depressa.

A sede da Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina, em Tomar, recebeu na quarta-feira, 11 de Março, a palestra pública “ERRO 404 – Humano não encontrado”, promovida pelo Rotary Club Tomar Cidade. A iniciativa procurou abrir espaço à reflexão sobre o impacto da Inteligência Artificial no quotidiano, reunindo participantes em torno de um tema que ganha cada vez mais peso no debate público. O orador convidado, Luís Garcia, doutorado em Informática e formador nas áreas da cibersegurança, inteligência artificial, redes e formação de formadores, deixou avisos duros sobre o futuro do trabalho. Na sua intervenção, sustentou que a Inteligência Artificial poderá, a médio prazo, substituir a esmagadora maioria dos postos de trabalho, empurrando a sociedade para níveis de desemprego sem precedentes e para uma crise de propósito humano.
Perante esse cenário, apontou profissões manuais e técnicas como algumas das áreas onde a intervenção humana continuará a ser indispensável, destacando electricistas, canalizadores, construtores civis e soldadores. São sectores que, sublinhou, continuam a ser menos procurados pelos jovens, mas que poderão revelar-se decisivos num futuro próximo. Luís Garcia distinguiu ainda a Inteligência Artificial Generativa, já acessível ao grande público através de ferramentas como o ChatGPT, da chamada Inteligência Artificial Geral, que, segundo referiu, poderá surgir já em 2027. Essa nova etapa tecnológica, explicou, corresponderia a sistemas com capacidades equivalentes às humanas, mas sem dependerem do controlo directo do ser humano, abrindo caminho à substituição em massa de trabalhadores em vários sectores. Ao longo da sessão, o especialista insistiu na necessidade de a sociedade se reinventar perante uma evolução tecnológica acelerada, criticando a falta de preparação dos governos para responder ao impacto social e económico dessa transformação.
Outro dos alertas deixados durante a palestra centrou-se no valor dos dados pessoais. “Os dados são o petróleo do século XXI”, afirmou, chamando a atenção para a forma como cidadãos fornecem informação, muitas vezes de modo inconsciente, às grandes tecnológicas e plataformas digitais. Na parte final da intervenção, Luís Garcia abordou o conceito de “Super Inteligência Artificial”, descrita como uma forma de inteligência capaz de superar o ser humano em raciocínio, criatividade e tomada de decisão. Evocando as “Três Leis da Robótica”, de Isaac Asimov, alertou para a possibilidade de uma tecnologia com capacidades superiores deixar de obedecer ao Homem e gerar conflitos imprevisíveis. Apesar de admitir benefícios potenciais, como avanços na cura de doenças ou no combate à pobreza, o orador deixou uma nota sombria sobre o futuro. “A evolução da Inteligência Artificial não me preocupa tanto quanto a estupidez e ignorância do ser humano”, afirmou.

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