Economia | 26-03-2026 21:00

Oposição pede frente comum para incluir Salvaterra de Magos no debate do novo aeroporto

Oposição pede frente comum para incluir Salvaterra de Magos no debate do novo aeroporto

Autarcas da Câmara de Salvaterra de Magos defendem que a proximidade geográfica e os possíveis efeitos indirectos do novo aeroporto justificam uma participação mais activa do município nos processos de decisão.

A exclusão de Salvaterra de Magos dos concelhos abrangidos pelas medidas preventivas e os impactos territoriais associados ao novo Aeroporto Luís de Camões motivaram debate em reunião de câmara, com vereadores da oposição a defenderem a necessidade de garantir a presença do município nas discussões. O vereador José Coelho, do PSD, considerou que, do ponto de vista político e do ordenamento do território, faria sentido discutir a inclusão do concelho nas estruturas de acompanhamento do processo, sublinhando que os efeitos do aeroporto poderão ir além dos municípios directamente abrangidos. Segundo o autarca, a incidência territorial relevante não se limita ao local exacto da infraestrutura, podendo estender-se às acessibilidades, à pressão urbanística, ao uso dos solos e à expansão logística e económica associada.
O vereador social-democrata questionou se a câmara municipal não deveria já ter sido incluída nesta discussão, tendo em conta a proximidade geográfica de algumas freguesias do concelho. Para José Coelho, não está em causa discutir se o município é a favor ou contra o aeroporto, mas garantir que Salvaterra de Magos participa nas decisões para evitar que venha a suportar impactos indesejados e para preparar desde já matérias como acessos, captação de investimento e crescimento económico.
Na mesma linha de concordância, o vereador Francisco Madelino, do PS, considerou que se trata de uma matéria determinante, acrescentando que a nova realidade associada ao aeroporto pode abrir espaço a situações excepcionais que permitam rever o Plano Director Municipal (PDM), documento que, segundo referiu, não é alterado há mais de duas décadas. O autarca defendeu que a câmara deve estar presente nos fóruns onde se negoceia com o Governo, apontando o exemplo de Vendas Novas, que integra o processo. Manifestou ainda disponibilidade para, através do Partido Socialista, procurar que deputados da Assembleia da República se juntem a outros partidos no sentido de pressionar para que Salvaterra de Magos seja incluída no processo de discussão.
A presidente da câmara, Helena Neves, esclareceu que o município já está envolvido no grupo de trabalho da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), onde a discussão está a ser concertada entre os municípios da região, acrescentando que a autarquia continua a acompanhar o processo no terreno.
Em Fevereiro deste ano, o Governo aprovou medidas preventivas para a zona do novo aeroporto de Lisboa, abrangendo uma área de cerca de 71 mil hectares distribuídos por sete concelhos. A resolução, publicada em Diário da República, determina que as operações urbanísticas nesses territórios passem a exigir parecer positivo da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). Os municípios abrangidos pelas medidas são Alcochete, Benavente, Coruche, Montemor-o-Novo, Montijo, Palmela e Vendas Novas. O objectivo é evitar alterações nas condições existentes que possam comprometer ou tornar mais onerosa a execução do Aeroporto Luís de Camões e das infraestruturas e actividades associadas.

À margem

Mais perto do aeroporto do que Vendas Novas, mas mais longe das decisões

A discussão surgiu na reunião de câmara pela voz do vereador do PSD, José Coelho, que questionou a razão pela qual Salvaterra de Magos não integra o grupo de concelhos directamente envolvidos nas medidas preventivas associadas ao novo aeroporto. A preocupação é legítima e merece reflexão. Ainda assim, não deixa de causar alguma estranheza que essa pressão surja a nível local sem que, aparentemente, tenha produzido efeitos junto de quem decide. Afinal, é o próprio PSD que lidera o Governo.
Se faz sentido que o concelho esteja incluído na discussão? Faz. Nem que seja por uma simples questão geográfica. Salvaterra de Magos fica a cerca de 33 quilómetros do actual Campo de Tiro da Força Aérea, a futura localização do aeroporto, pela Estrada Nacional 118. Já Vendas Novas, que integra o grupo de municípios abrangidos, ronda os 50 quilómetros por diferentes estradas nacionais. Numa medição em linha recta a diferença encurta, mas a realidade mantém-se: Salvaterra está mais perto do campo de tiro do que Vendas Novas.
A pressão urbanística, as novas acessibilidades, a logística e o investimento não conhecem fronteiras rígidas. Se Salvaterra de Magos pode ser afectada, directa ou indirectamente, faz sentido que tenha lugar à mesa onde se discutem as regras do jogo. E talvez seja tempo de transformar a preocupação expressa na reunião de câmara numa verdadeira frente política capaz de se fazer ouvir em Lisboa.

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