Ministro ouve bombeiros da região, mas adia decisão sobre comandos sub-regionais
Ministro da Administração Interna passou por Ferreira do Zêzere sem desfazer as dúvidas sobre o futuro dos comandos sub-regionais de protecção civil, mas deixou uma garantia: o Governo só avançará com a solução que der “mais garantias ao país”.
O Governo continua a auscultar bombeiros e autarcas sobre o modelo de organização da protecção civil, mantendo em aberto uma decisão sobre a eventual extinção dos comandos sub-regionais. Em Ferreira do Zêzere, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou à Lusa que o executivo vai optar pela solução que der “mais garantias ao país”, depois de ouvir posições divergentes ao longo do roteiro de proximidade que está a realizar pelo país. No final de uma reunião com responsáveis municipais e operacionais do sector, o governante fez um balanço positivo dos cinco encontros já realizados, destacando a importância de recolher contributos directamente no terreno. Segundo Luís Neves, estas reuniões permitem aos responsáveis locais expor dificuldades, levantar preocupações e apresentar propostas para o futuro da protecção civil.
Uma das matérias centrais debatidas em Ferreira do Zêzere foi precisamente a possível extinção dos comandos sub-regionais, incluindo o do Médio Tejo, cenário que está a gerar forte resistência na região. Questionado sobre o tema, o ministro evitou comprometer-se com uma decisão imediata, insistindo que o objectivo do périplo é ouvir primeiro todos os intervenientes antes de avançar com qualquer alteração estrutural. A posição dos autarcas do Médio Tejo foi transmitida de forma clara pelo presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, também vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. O autarca afirmou que a comunidade intermunicipal está frontalmente contra o fim dos comandos sub-regionais, defendendo que o modelo actual assegura proximidade, melhor articulação entre entidades e uma gestão mais eficaz dos meios de socorro.
Também os bombeiros manifestaram oposição a uma eventual mudança. Dez dos 14 comandantes das corporações do Médio Tejo presentes no encontro reiteraram a defesa da actual estrutura, sublinhando que o comando sub-regional tem dado provas de eficácia. À Lusa, o comandante dos Bombeiros do Sardoal, Nuno Morgado, disse que os operacionais procuraram mostrar ao ministro “aquilo que corre bem” na região, defendendo que esse exemplo devia ser analisado e replicado noutras zonas do país. Na sua perspectiva, o comando sub-regional do Médio Tejo “funciona bem” e deve ver a sua continuidade avaliada com seriedade. Além da organização da protecção civil, o ministro abordou outras preocupações ligadas ao risco de incêndio e às consequências das recentes intempéries.


