Alverca Space Hub vai construir satélites no complexo da Força Aérea
É a primeira fábrica nacional dedicada exclusivamente a produzir satélites. Investimento de 1,5 milhões de euros nasce dentro do complexo militar da Força Aérea Portuguesa em Alverca e integra a nova “Constelação do Atlântico”, que vai permitir observação contínua do território.
A cidade de Alverca vai ter a primeira fábrica nacional dedicada a produzir satélites. As instalações industriais estão a ser construídas na base área da Força Aérea Portuguesa (FAP), junto à OGMA, e representam um investimento de 1,5 milhões de euros. A obra tem conclusão prevista para meados deste ano. A informação foi tornada pública no final de Março pela Força Aérea Portuguesa durante a colocação em órbita do satélite CA-01, lançado pela SpaceX, com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR), que promete ser o primeiro satélite da “Constelação do Atlântico”, que visa permitir a observação contínua do território, mesmo em condições de muita nebulosidade para fins de defesa e segurança.
O Alverca Space Hub vai dedicar-se à construção de satélites de tipologia SAR, bem como promover o desenvolvimento e expansão de outras oportunidades de tecnologia espacial no contexto europeu. Num primeiro momento, o Alverca Space Hub começará por se dedicar à construção de oito satélites, de 230 quilos cada, podendo depois vir a criar satélites para outros países europeus. Segundo a FAP, pelo menos quatro satélites SAR da Constelação do Atlântico vão ser comprados a uma empresa finlandesa, sendo os restantes oito construídos de raiz em Alverca.
Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Portuguesa, notou publicamente durante o lançamento do primeiro satélite a existência de uma lacuna na Europa face à produção destes equipamentos e salientou que a fábrica de Alverca vai permitir integrar satélites em instalações seguras, montando um modelo de negócio que seja sustentável.
No final de 2025, o Estado Maior das Forças Armadas deu nota que a posse directa de uma rede de satélites permitiria à FAP um controlo e flexibilidade total sobre a aquisição de dados e planeamento de missões para dar uma resposta mais rápida, por exemplo, a situações de resgate em alto mar, missões militares, desafios de segurança marítima, monitorização ambiental e salvaguarda dos interesses nacionais, sobretudo a Zona Económica Exclusiva portuguesa, a maior do mundo.
O primeiro satélite da nova constelação - que terá 26 satélites, 14 ópticos e 12 SAR - será operado a partir do Centro de Operações Espaciais da FAP, inaugurado a 24 de Setembro de 2024 e situado no Comando Aéreo da FAP em Monsanto. Além desse satélite, o lançamento da americana SpaceX levou também outros seis satélites de origem portuguesa.
Segundo o cronograma da FAP para a criação da “Constelação do Atlântico”, está projectada para 2026 a colocação em órbita de mais 3 satélites SAR: um a 4 de Maio e outros dois a anunciar. O objectivo é vir a agregar oito unidades até 2028.


