Nobre repõe créditos sindicais a duas trabalhadoras após conflito com sindicato
Empresa de Rio Maior pagou valores reclamados desde Janeiro de 2025, mas o SINTAB acusa a administração de manter por resolver o subsídio de alimentação relativo aos dias de actividade sindical. A Nobre garante que actuou de acordo com a ACT.
Duas delegadas sindicais da Nobre Alimentação, em Rio Maior, receberam os créditos sindicais que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, tinham deixado de ser pagos pela empresa em Janeiro de 2025. O SINTAB fala numa vitória da persistência sindical e acusa a empresa de ter tentado limitar a actividade das trabalhadoras. A Nobre rejeita essa leitura e assegura que actuou de forma diligente, em articulação com a Autoridade para as Condições do Trabalho.
De acordo com o sindicato, a empresa deixou de reconhecer e pagar os créditos sindicais a duas funcionárias delegadas sindicais, uma das quais dirigente da União de Sindicatos de Santarém. A situação levou o SINTAB a pedir a intervenção da ACT, que em Julho de 2025 terá dado razão ao sindicato, notificando a empresa para corrigir a situação e repor os valores descontados. O SINTAB afirma que, apesar dessa posição, a empresa prolongou o conflito durante 14 meses, mantendo a recusa em cumprir a notificação. A reposição dos valores terá ocorrido este mês, depois de a empresa ter justificado a situação junto da ACT como “um mal-entendido”. Para o sindicato, ficou demonstrada a importância da resistência das trabalhadoras e da intervenção sindical. O conflito, no entanto, não está encerrado. O SINTAB denuncia que a Nobre continua a não pagar o subsídio de alimentação correspondente aos dias de actividade sindical, considerando que se mantém uma ilegalidade que seguirá agora para tribunal.
Contactada pela Lusa, a Nobre Alimentação apresentou uma versão diferente, sustentando que desde 8 de Janeiro de 2025, antes mesmo de a questão ter sido levantada pelas trabalhadoras, procurou obter esclarecimentos junto da ACT sobre o enquadramento aplicável. A empresa refere que a ACT visitou as instalações em Março e comunicou em Julho o entendimento de que deveria ser feito o pagamento solicitado pelo SINTAB, orientação que diz ter cumprido. Quanto ao subsídio de alimentação, a Nobre garante que a própria ACT já esclareceu que o mesmo não é devido nesta situação, assegurando que continuará a agir em conformidade com as orientações das autoridades competentes.
Desde 2023, os trabalhadores da Nobre realizaram 28 greves contra a recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo. As exigências incluem aumentos salariais, valorização do subsídio de refeição, melhoria do pagamento do trabalho nocturno, aumento das diuturnidades, 25 dias de férias e fim do recurso à contratação precária.


