Cirurgia robótica: uma era de ouro na Ortopedia
Juntar a experiência humana acumulada à precisão de um robot? Já é uma realidade no Hospital CUF Santarém, em cirurgias ortopédicas para colocação de próteses do joelho e da anca. Manuel Oliveira, Coordenador de Ortopedia nesta unidade, explica os resultados de excelência que este avanço tecnológico permite e afirma que estamos a viver uma “era de ouro” na Ortopedia moderna. A cirurgia robótica, agora disponível no Hospital CUF Santarém, é a abordagem mais avançada do mundo nesta área, tão eficaz que, segundo o especialista, já não faz sentido viver com dor ou limitações na anca ou no joelho.
Quais são as doenças da anca e do joelho mais prevalentes em Portugal?
Segundo o mais importante estudo nacional nesta área, cerca de 21,2% da população adulta portuguesa sofre de algum tipo de doença reumática ou musculoesquelética. A patologia mais frequente é a artrose, que designamos, em termos médicos, por osteoartrose. No caso do joelho, as estatísticas indicam que cerca de 12% a 15% dos adultos com mais de 60 anos sofrem de artrose sintomática, um número que sobe drasticamente para 40% em pessoas acima dos 70 anos. Tendo Portugal uma das populações mais envelhecidas da Europa, este torna-se, sem dúvida, um problema de saúde pública prioritário.
Quais são os sinais de alerta que podem estar associados a doenças da anca e do joelho, e devem motivar a procura de ajuda médica?
O sinal primordial é a dor, mas devemos estar atentos à sua evolução. Quando a dor começa a interferir com o sono ou com atividades básicas, como caminhar ou subir escadas, a patologia poderá já estar num estado avançado. Estudos indicam que cerca de 20% dos doentes adiam a consulta por medo da cirurgia, mas a rigidez articular matinal e a limitação de movimentos são sinais claros de que a articulação está em sofrimento e precisa de avaliação especializada para evitar a perda total de cartilagem.
Pode dar exemplos concretos dessa limitação de movimentos?
No caso da artrose da anca, é comum surgir dificuldade em calçar os sapatos, por exemplo. Se o problema for a artrose do joelho, sentir dificuldade em caminhar 15 minutos é um alerta que não deve ser ignorado.
O Hospital CUF Santarém passou a contar com um novo robot cirúrgico de Ortopedia. Que tipo de cirurgias já estão a ser realizadas?
Estamos a realizar artroplastias – intervenções para colocação de próteses –, totais e parciais do joelho e da anca. O robot é uma ferramenta de alta precisão que nos permite um planeamento 3D personalizado. Para se ter uma ideia da precisão, o robot permite-nos executar a cirurgia com uma margem de erro submilimétrica. Temos dados científicos recentes que mostram que a taxa de desalinhamento é reduzida para menos de 9%, na cirurgia assistida por robot.
Paralelamente a esta aposta tecnológica, a CUF tem vindo a reforçar a subespecialização das equipas. Em que consiste esta abordagem?
A ortopedia moderna evoluiu para a subespecialização. Já não faz sentido esperar que um cirurgião possa tratar com o mesmo nível de excelência o pé e a coluna, por exemplo. No Hospital CUF Santarém, seguimos o modelo de equipas dedicadas por região anatómica. Isto significa que um cirurgião de joelho realiza centenas de procedimentos idênticos por ano. A vantagem, demonstrada por evidência científica, é clara: equipas que realizam um elevado volume de cirurgias específicas atingem taxas de complicações significativamente menores e obtêm melhores resultados funcionais para o doente.
No caso específico da anca e do joelho, que vantagens traz para o doente ser acompanhado por um ortopedista dedicado?
A principal vantagem é o acesso às técnicas mais recentes e a médicos com experiência nesse tipo de abordagem, que respeitam a anatomia individual de cada doente. Um médico dedicado tem um conhecimento profundo das particularidades biomecânicas de cada articulação. A literatura mostra-nos que doentes tratados por especialistas focados têm uma probabilidade 3.2 vezes superior de reportar resultados excelentes um ano após a cirurgia.
De que forma a combinação entre tecnologia avançada e equipas subespecializadas contribui para melhorar os resultados clínicos?
É a união entre a experiência humana e a precisão da máquina. O robot não opera sozinho; ele executa um plano desenhado pelo cirurgião especialista. Quando temos um cirurgião que domina a patologia e um robot que garante a execução perfeita desse plano, o resultado é uma prótese que o doente sente como um “joelho ou anca natural”, e que, além disso, garante maior durabilidade.
Que mensagem deixaria a quem vive com dor ou limitação e adia a procura de ajuda?
A medicina ortopédica vive uma era de ouro. Hoje, não operamos apenas para “tirar a dor”, mas para devolver a capacidade de viver plenamente. Com a tecnologia robótica, agora disponível no Hospital CUF Santarém, oferecemos à população do Ribatejo o que há de mais avançado no mundo. Hoje, não há qualquer necessidade de continuar a viver com dor, nem com as limitações que estas doenças provocam.
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Tratamento com cirurgia robótica tem vantagens para as pessoas com doenças da anca e do joelho
Esta técnica, minimamente invasiva e altamente precisa, tem benefícios evidentes, já demonstrados, para os doentes que necessitam de fazer uma cirurgia de prótese da anca e do joelho. “Estudos apresentados em 2026 mostram que a taxa de satisfação dos doentes operados com apoio robótico chega aos 93,5%. No que toca à recuperação, observamos uma redução no tempo de internamento hospitalar – em média, menos 1 dia – e um regresso mais rápido à vida ativa.”, explica Manuel Oliveira.
Há ainda a questão da segurança. Segundo o ortopedista da CUF, “na cirurgia da anca, por exemplo, a precisão robótica pode reduzir em 51% o risco de complicações – não só durante a intervenção, mas também na recuperação –, devido à maior preservação de tecidos e de osso saudável”.


