Contas de 2025 da Golegã aprovadas, apesar de preocupação com a dívida
A Câmara Municipal da Golegã aprovou, em reunião extraordinária realizada a 17 de Abril, o relatório de gestão e a prestação de contas relativos a 2025.
A Câmara Municipal da Golegã aprovou, em reunião extraordinária realizada a 17 de Abril, o relatório de gestão e a prestação de contas relativos a 2025. Apesar do voto favorável de todo o executivo, a evolução da dívida do município dominou o debate e gerou preocupação entre os eleitos. Segundo os dados apresentados, a autarquia registou uma receita total de cerca de 13,8 milhões de euros e uma despesa na ordem dos 11,8 milhões, fechando o exercício com um saldo positivo de aproximadamente 1,97 milhões de euros. Com os saldos transitados de anos anteriores, o município terminou 2025 com cerca de 3,44 milhões de euros disponíveis.
Ainda assim, a leitura económica das contas revela um resultado líquido negativo de cerca de 1,38 milhões de euros, explicado pelo aumento dos custos com pessoal, pela aquisição de serviços externos e pelas amortizações do património municipal. Apesar desse resultado, o executivo destacou que o património líquido da autarquia cresceu cerca de 3%, ultrapassando os 31 milhões de euros. Durante a discussão do documento, a vereadora do PS, Ana Isabel Caixinha, defendeu que a prestação de contas “deve reflectir com rigor a execução financeira do ano e não ser condicionada por divergências políticas”. A autarca deixou, no entanto, vários reparos à gestão, apontando o aumento da despesa, a execução orçamental abaixo do previsto e o crescimento dos encargos com recursos humanos.
A maior preocupação incidiu sobre a dívida a terceiros, que quase duplicou ao longo de 2025, passando de cerca de 797 mil euros no início do ano para mais de 1,5 milhões de euros no final do exercício. Para Ana Isabel Caixinha, trata-se de um sinal de alerta que exige acompanhamento rigoroso, face ao impacto que pode ter na gestão financeira do município nos próximos anos. O presidente da câmara, António Camilo, justificou a subida com razões de ordem administrativa e financeira. Segundo explicou, muitas facturas relativas a obras e serviços só deram entrada no final do ano ou já em 2026, embora tenham sido contabilizadas no exercício de 2025. Ao agravamento da dívida somam-se ainda atrasos em comparticipações financeiras externas ligadas a investimentos apoiados, bem como verbas retidas em garantias de obras. Foi também admitido que algumas facturas ultrapassaram o prazo de pagamento de 90 dias, situação reconhecida pelo município, que se comprometeu a corrigi-la.


