Novobanco entra na estrutura do BPCE com ambição reforçada para crescer em Portugal
O grupo francês BPCE finalizou a aquisição da totalidade do capital do Novobanco, num negócio de 6,7 mil milhões de euros. Com esta operação passa a fazer de Portugal o seu segundo mercado doméstico e marca a maior operação bancária transfronteiriça na Área do Euro em mais de uma década.
O BPCE, segundo maior grupo bancário em França e quarto maior da zona euro, anunciou a conclusão da compra do Novobanco ao Estado Português, ao Fundo de Resolução e ao fundo Lone Star. Em comunicado, o BPCE refere que Portugal torna‑se, assim, o segundo mercado doméstico do Grupo para as suas atividades de banca de retalho, sublinhando o peso estratégico da operação. O preço final da aquisição foi fixado em 6,5 mil milhões de euros a 31 de Dezembro de 2025, com base nos lucros de 828 milhões registados nesse ano, correspondendo a um múltiplo de 7,85 vezes. Com o aumento do capital próprio nos primeiros meses de 2026, o valor total ascendeu a 6,7 mil milhões de euros.
A integração do Novobanco é considerada pelo BPCE como um marco decisivo no seu plano estratégico “Visão 2030”, reforçando a presença europeia e diversificando a exposição económica e financeira do grupo. O comunicado destaca que esta é “a maior aquisição bancária transfronteiriça na Área do Euro em mais de dez anos”. O BPCE passa a contar com cerca de 8.000 trabalhadores em Portugal, somando as equipas já existentes no Porto, no Banco Primus e na Oney. O grupo pretende afirmar‑se como parceiro de referência no financiamento da economia portuguesa e no reforço das relações empresariais franco‑portuguesas.
O Novobanco, que emprega 4.100 pessoas, opera uma rede de 300 balcões e serve 1,7 milhões de clientes, apresenta um dos desempenhos mais sólidos do sector, com 1,6 mil milhões de euros em produto bancário líquido e 828 milhões de euros de lucro consolidado em 2025. A instituição detém quotas de mercado de 9% no total do sistema e de 14% no crédito às empresas não financeiras, chegando aos 18% nas médias empresas.
A nova fase prevê o reforço da banca de retalho, corporativa e institucional, com especial enfoque no apoio às PME, no acesso a mercados internacionais e na aceleração da transformação digital. O BPCE compromete‑se ainda a intensificar o financiamento da transição ambiental para famílias e empresas. O Novobanco continuará a ser gerido localmente, com Mark Bourke a manter‑se como CEO, agora reportando ao Secretário‑Geral do BPCE, Jacques Beyssade. Três novos membros indicados pelo grupo francês integrarão o conselho geral e de supervisão.
Para Nicolas Namias, CEO do BPCE, esta aquisição representa “um compromisso de longo prazo com Portugal” e uma oportunidade para aprofundar o apoio à economia nacional. Já Mark Bourke considera que o banco entra “num novo capítulo”, reforçando capacidade financeira e know‑how ao integrar um dos maiores grupos bancários europeus.


