Economia | 05-05-2026 21:00

Trabalhadores da Nobre ameaçam levar protesto ao México após 29 greves sem acordo

Trabalhadores da Nobre ameaçam levar protesto ao México após 29 greves sem acordo
foto DR

Conflito laboral na unidade de Rio Maior arrasta-se desde 2023. Sindicato acusa administração de bloquear negociações e admite fazer chegar contestação à Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a empresa. Nobre rejeita acusações e fala numa adesão à greve entre 10% e 15%.

Os trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, cumpriram na segunda-feira, 4 de Maio, a 29.ª greve desde o início do conflito laboral com a administração, que se arrasta desde 2023. Em causa está a recusa da empresa, segundo o sindicato, em negociar o caderno reivindicativo apresentado pelos trabalhadores. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) admite agora endurecer a luta e levar o protesto para fora do país, junto da Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a Nobre. “Vamos ter que chegar mais longe para desbloquear esta situação”, afirmou à agência Lusa o dirigente sindical Diogo Lopes.
O sindicato garante que a adesão à paralisação voltou a rondar valores semelhantes aos de greves anteriores, na ordem dos 80%, embora diga não conseguir confirmar números concretos devido a limitações impostas pela empresa ao piquete de greve. A Nobre apresenta uma versão oposta: contactada pela Lusa, estimou a adesão entre 10% e 15% e assegurou que todas as linhas de produção se mantiveram operacionais, sem perturbações na actividade.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais, valorização do subsídio de refeição e do trabalho nocturno, implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e fim do recurso à contratação precária. A proposta inicial de aumento de 150 euros chegou a ser reduzida para 50 euros no âmbito de reuniões de conciliação na Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, mas sem acordo.
O SINTAB acusa ainda a empresa de tentar desmobilizar os trabalhadores, alegando que responsáveis da Nobre terão dito que as delegadas sindicais recebiam o dia de greve. Diogo Lopes rejeita a acusação e garante que o dia é descontado às delegadas sindicais “como a quaisquer outros trabalhadores”.
A Nobre nega qualquer irregularidade e afirma actuar “em total conformidade com todos os enquadramentos legais e laborais aplicáveis”, considerando infundadas as alegações do sindicato. A empresa defende ainda que as greves devem ser enquadradas numa estratégia sindical mais ampla, com reivindicações semelhantes em várias empresas e sectores. Sem avanços nas negociações, os trabalhadores decidiram aderir à greve geral marcada para 3 de Junho e avançar com uma nova paralisação a 5 de Junho, a convocar pelo sindicato.

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