Trabalhadores da Nobre ameaçam levar protesto ao México após 29 greves sem acordo
Conflito laboral na unidade de Rio Maior arrasta-se desde 2023. Sindicato acusa administração de bloquear negociações e admite fazer chegar contestação à Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a empresa. Nobre rejeita acusações e fala numa adesão à greve entre 10% e 15%.
Os trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, cumpriram na segunda-feira, 4 de Maio, a 29.ª greve desde o início do conflito laboral com a administração, que se arrasta desde 2023. Em causa está a recusa da empresa, segundo o sindicato, em negociar o caderno reivindicativo apresentado pelos trabalhadores. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) admite agora endurecer a luta e levar o protesto para fora do país, junto da Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a Nobre. “Vamos ter que chegar mais longe para desbloquear esta situação”, afirmou à agência Lusa o dirigente sindical Diogo Lopes.
O sindicato garante que a adesão à paralisação voltou a rondar valores semelhantes aos de greves anteriores, na ordem dos 80%, embora diga não conseguir confirmar números concretos devido a limitações impostas pela empresa ao piquete de greve. A Nobre apresenta uma versão oposta: contactada pela Lusa, estimou a adesão entre 10% e 15% e assegurou que todas as linhas de produção se mantiveram operacionais, sem perturbações na actividade.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais, valorização do subsídio de refeição e do trabalho nocturno, implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e fim do recurso à contratação precária. A proposta inicial de aumento de 150 euros chegou a ser reduzida para 50 euros no âmbito de reuniões de conciliação na Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, mas sem acordo.
O SINTAB acusa ainda a empresa de tentar desmobilizar os trabalhadores, alegando que responsáveis da Nobre terão dito que as delegadas sindicais recebiam o dia de greve. Diogo Lopes rejeita a acusação e garante que o dia é descontado às delegadas sindicais “como a quaisquer outros trabalhadores”.
A Nobre nega qualquer irregularidade e afirma actuar “em total conformidade com todos os enquadramentos legais e laborais aplicáveis”, considerando infundadas as alegações do sindicato. A empresa defende ainda que as greves devem ser enquadradas numa estratégia sindical mais ampla, com reivindicações semelhantes em várias empresas e sectores. Sem avanços nas negociações, os trabalhadores decidiram aderir à greve geral marcada para 3 de Junho e avançar com uma nova paralisação a 5 de Junho, a convocar pelo sindicato.


