Ribatejo tem floresta de 432 mil hectares e eucalipto ocupa mais de metade
Floresta ocupa mais de 432 mil hectares nos 25 concelhos da área de abrangência de O MIRANTE. Mais de metade dessa área é eucalipto, revelando uma paisagem rural marcada por fortes contrastes: grandes manchas florestais em Abrantes, Chamusca e Coruche, e concelhos onde a monocultura já domina quase por completo o território.
Nos concelhos do distrito de Santarém e nos concelhos de Azambuja, Vila Franca de Xira, Arruda dos Vinhos e Alenquer, na zona norte do distrito de Lisboa, a floresta marca profundamente o território, a economia rural e também o risco de incêndio que regressa todos os anos com as altas temperaturas. Segundo dados oficiais da Carta de Ocupação do Solo Conjuntural, existe na região ribatejana uma mancha florestal conjunta de cerca de 432 mil hectares. Deste universo, aproximadamente 230 mil hectares correspondem a eucalipto, ou seja, pouco mais de 53% da área florestal considerada. O número dá escala a uma realidade muitas vezes discutida em termos genéricos, mas que ganha outro peso quando vista concelho a concelho.
Abrantes surge como o território com maior área florestal, com 65.619 hectares, dos quais 31.752 são de eucalipto. Segue-se a Chamusca, com 59.656 hectares de floresta e 27.716 hectares de eucalipto. Coruche fecha o grupo dos grandes concelhos florestais, com 51.251 hectares, mas com uma composição mais repartida, onde pinheiro manso e sobreiro têm expressão superior ao eucalipto. Mação, Ourém, Rio Maior, Santarém, Constância, Tomar e Ferreira do Zêzere completam o lote dos concelhos com maior peso florestal.
O retrato muda quando se olha para a percentagem de eucalipto. Rio Maior destaca-se com 84,98% da sua floresta ocupada por essa espécie, seguindo-se Vila Nova da Barquinha, com 79,65%, Alenquer, com 78,33%, e Alpiarça, com 78,18%. Também Ferreira do Zêzere, Santarém, Azambuja, Sardoal e Alcanena apresentam valores acima dos 70%, sinal de uma floresta muito marcada pela monocultura.
No extremo oposto está Vila Franca de Xira, onde o eucalipto representa apenas 11,04% da área florestal considerada. Coruche, apesar da enorme dimensão florestal, fica-se pelos 26,04%, reflectindo a força do montado e do pinhal manso. Benavente, Torres Novas e Arruda dos Vinhos revelam igualmente uma floresta menos dependente do eucalipto.
Os dados confirmam uma região de contrastes: pequenas manchas florestais, como as do Entroncamento, Golegã ou Arruda dos Vinhos, convivem com territórios onde a floresta tem escala determinante na paisagem e na gestão municipal. Mas há uma evidência difícil de ignorar: em muitos concelhos, a floresta é cada vez menos diversa. E essa concentração tem consequências na biodiversidade, na água, no ordenamento e no combate aos incêndios.


