Resultados “magros” fecham Fábrica do Empreendedor em Vila Franca de Xira
Toda a oposição considerou que o município pagar 80 mil euros por ano à cooperativa SEAcoop não se justificava para os resultados que foram obtidos no último ano. Decisão deixa no desemprego duas técnicas.
Resultados magros, aquém do expectável e “miseráveis”: Foi desta forma que os vereadores da oposição na Câmara de Vila Franca de Xira classificaram o trabalho feito em 2025 pela Fábrica do Empreendedor (FE), um projecto resultante de um protocolo de colaboração estabelecido entre o município e a cooperativa SEAcoop - Social Entrepreneurs Agency, que custava 80 mil euros por ano à câmara. A decisão de chumbar a renovação do projecto atira para o desemprego as duas técnicas que ali prestavam serviço.
Apesar de Marina Tiago, vice-presidente do município, ter considerado relevante o trabalho feito pelo projecto no concelho desde 2020 no apoio à reinserção de pessoas desempregadas e ter destacado os resultados do último ano como “bastante positivos”, a oposição teve uma ideia diferente e a renovação do protocolo acabou chumbada com os votos contra da coligação Nova Geração (PSD/IL) e Chega e a abstenção da CDU.
O fim abrupto do projecto apanhou de surpresa as duas técnicas que ali trabalhavam, Deusa Pululo, residente em Alhandra e Manuela Gualdino, natural de VFX mas a residir em Alenquer. A O MIRANTE esta última considera a decisão dos políticos uma vergonha nacional, lamentando que apenas tenham tido em conta o relatório do último ano e não dos seis anos em que a fábrica funcionou, apoiando mais de 5.700 pessoas e inserido no mercado de trabalho 242 pessoas, incluindo ajudando a criar uma centena de negócios.
“Fiquei indignada com o que ouvi. Não é verdade que só atendíamos duas pessoas por dia e custa-me ouvir que alguns negócios foram fantasma quando há provas da sua criação. Estes partidos falaram sem saber e nunca visitaram a fábrica nestes seis anos”, lamenta. Manuela Gualdino lembra que em Dezembro de 2025 o número de desempregados no concelho era de 3.773 pessoas e que as duas técnicas trabalhavam 35 horas por semana. “Estive 2 meses de baixa e gozei um mês de férias, estamos a falar de menos 3 meses de trabalho no último ano e isso foi referido no relatório, mas não foi referido em reunião de câmara. Foi pena não nos terem visitado na Casa da Juventude de Alverca para terem uma ideia diferente do impacto do nosso trabalho”, critica.
Manuela Gualdino vai agora voltar ao centro de emprego, aos 50 anos, para procurar uma nova oportunidade profissional. “É uma tristeza. A minha preocupação é também o que é que agora digo às pessoas, tenho centenas de pessoas que estávamos a acompanhar e que agora me perguntam o que fazer a seguir e não tenho uma resposta para lhes dar”, lamenta.
* Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE


