Inteligência Artificial domina debate na oitava edição da FrEEE em Tomar
Feira de Educação, Emprego e Empreendedorismo voltou a juntar estudantes, empresas, entidades formativas e autarcas no Pavilhão Jácome Ratton. O impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho e nas escolas marcou a edição deste ano.
O Pavilhão Jácome Ratton, em Tomar, acolheu, nos dias 29 e 30 de Abril, a oitava edição da FrEEE – Feira de Educação, Emprego e Empreendedorismo, iniciativa que voltou a reunir estudantes, empresas, entidades formativas, professores e autarcas em torno dos desafios da formação e do emprego. A sessão de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, e de várias entidades ligadas à educação, inovação e mercado de trabalho. Este ano, o tema que mais se destacou foi a Inteligência Artificial (IA), cada vez mais presente nas escolas, nas empresas e nas decisões sobre o futuro profissional dos jovens.
O MIRANTE questionou algumas das entidades presentes sobre o impacto da IA no mercado de trabalho. A ideia dominante é que, apesar da evolução tecnológica, as chamadas soft skills continuarão a ser decisivas para os empregadores. Criatividade, empenho, empatia, espírito crítico e capacidade de adaptação foram apontadas como competências que a tecnologia não consegue substituir. João Paulo Roque, do Clube de Aeromodelismo “Os Aerocalminhas”, defende que a Inteligência Artificial pode complementar áreas em que as pessoas tenham menos competências, mas sublinha que nunca substituirá as qualidades humanas. António Faustino, professor no Agrupamento de Escolas Templários, acrescenta que a capacidade de compreender e utilizar ferramentas de IA será também cada vez mais valorizada, embora muitas pessoas ainda estejam pouco familiarizadas com essa realidade. Entre os participantes há também a convicção de que a Inteligência Artificial vai criar novas profissões. Uma das funções mais referidas foi a de fiscalizador, revisor ou validador de informação gerada por sistemas de IA. Diana Moreira, consultora e formadora da Etacademy, alerta, no entanto, para o risco de uma dependência excessiva destas ferramentas, que poderá tornar mais difícil encontrar profissionais com verdadeiro pensamento crítico e capacidade de análise.
Escolas desafiadas a combater o facilitismo
Nas escolas, o impacto da Inteligência Artificial já se faz sentir de forma evidente. Vários intervenientes referem que muitos alunos recorrem às ferramentas digitais para realizar trabalhos de forma rápida, sem confirmar a autenticidade da informação obtida. Para Diana Moreira, os professores e formadores têm um papel essencial na criação de desafios mais exigentes, que obriguem os alunos a pensar, interpretar e validar conteúdos. Defende também a criação de regulamentos claros para a utilização da IA em contexto educativo. João Paulo Roque considera que é necessário sensibilizar os mais novos para a importância de criar e não apenas copiar. “As ferramentas devem ser utilizadas como apoio e recurso, não como substituto”, foi uma das ideias mais repetidas ao longo da feira.
Nuno Silva, professor de Engenharia Civil no Politécnico de Tomar, sublinha que as escolas devem mostrar aos alunos que a informação fornecida pela IA nem sempre está correcta. “Temos sempre de validar os dados e saber filtrar a informação obtida. Saber gerir a IA é fundamental para alcançar melhores resultados”, afirmou. Já António Faustino olha para a Inteligência Artificial também como uma ferramenta de orientação, capaz de ajudar os jovens a explorar percursos académicos e profissionais, desde que usada com sentido crítico e acompanhamento adequado.


