Xira Equestre voltou a colocar no seu devido lugar a tradição do cavalo em VFX
O evento Xira Equestre, que se realizou pela segunda vez, está a consolidar o seu lugar no panorama nacional e tem pernas para andar, com quase 30 mil visitantes ao longo de três dias.
O Xira Equestre tem pernas para andar e já sonha crescer na próxima edição e continuar a afirmar a tradição do cavalo em Vila Franca de Xira, depois de uma segunda edição que voltou a ser considerada um sucesso pela organização. Segundo as contas dos organizadores, terão passado mais de 30 mil pessoas pelo certame, que se realizou no último fim-de-semana. “Temos de ser coerentes no dinamismo e no desenvolvimento do Xira Equestre, mas vale a pena ir com calma, fazer as coisas bem feitas e dignas para atingir outras dimensões ainda maiores”, refere a O MIRANTE Carlos Silva, um dos rostos principais da organização do Xira Equestre, que voltou a colocar o cavalo no centro das atenções no Cabo da Lezíria, em Vila Franca de Xira.
Ligado ao mundo equestre há três décadas, Carlos Silva, criador de cavalos lusitanos, assume que a paixão por este animal esteve na origem da iniciativa e que em boa hora o município de Vila Franca de Xira se associou ao evento. Depois de uma primeira edição em 2025, que descreve como “o ano zero”, o responsável acredita que o certame deu agora um passo em frente. “No ano passado foi o arranque. Correu bem, foi dinâmico, toda a gente adorou a ideia. Este ano melhorámos”, refere.
Entre as novidades desta edição estiveram duas provas nacionais: uma prova de equitação de trabalho e um campeonato nacional de atrelagem. Regressaram também os concursos de modelos e andamentos, “uma das provas antigas que se fazia aqui no antigo Salão do Cavalo”, recorda.
“O cavalo não é um exclusivo da Golegã”
O evento teve entrada livre e incluiu demonstrações, espectáculos equestres, actividades pedagógicas e competições, numa organização conjunta da Câmara de Vila Franca de Xira e da Associação Arte Equestre Lusitano, em parceria com a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e a Escola de Toureio José Falcão. Para Carlos Silva, o Cabo da Lezíria continua a ser o local ideal para receber o evento. “Estamos a falar de um evento de campo, de cavalos. Sítios como este há poucos. Temos junto ao rio uma paisagem magnífica sobre a cidade. É uma ideia diferente e quisemos trazer as pessoas ao campo”, explica. No início do ano chegou a ser ponderada uma ligação fluvial entre a cidade e o recinto, mas as obras no cais e os danos causados pelo mau tempo impediram a concretização da ideia este ano.
O responsável acredita que Vila Franca de Xira deve continuar a afirmar-se como território ligado ao cavalo, recuperando parte da importância que teve no passado com o antigo Salão do Cavalo, extinto no final dos anos 90 do século passado. “O cavalo não é um exclusivo da Golegã. Vila Franca já teve um salão do cavalo que, a nível nacional, podia equiparar-se à Golegã. O Xira Equestre aparece para voltar a dar dinamismo ao concelho na área dos cavalos”, explica. A edição deste ano prestou homenagem a Carlos Apolinário e Cristina Guerreiro, figuras ligadas ao mundo da atrelagem em Vila Franca de Xira.
O contacto com o cavalo como terapia
Além das provas e espectáculos, a iniciativa apostou também numa forte componente social. O primeiro dia foi dedicado às Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho, permitindo o contacto dos utentes com os cavalos e o mundo equestre. Houve também hipoterapia assegurada por profissionais, como José Godinho, proprietário do Centro Hípico do Hotel Golf Mar, que esteve presente no Xira Equestre pelo segundo ano consecutivo mas a fazer hipoterapia com as gentes do concelho pela primeira vez. “Está a ser uma experiência muito positiva. O contacto com o cavalo melhora a autoestima, a confiança e até os afectos”, explica a O MIRANTE.
Um dos protagonistas das sessões com os utentes de VFX é Repsol, um cavalo com 28 anos que acompanha José Godinho há muitos anos. “É um cavalo de absoluta confiança. Já fez muitos espectáculos, faz hipoterapia todas as semanas e continua a participar em demonstrações de equitação natural”, refere. Com este evento, José Godinho acredita que o cavalo voltou a conquistar espaço em Vila Franca de Xira e na sociedade. “O cavalo está no seu devido lugar outra vez. Hoje reconhecemos mais o seu valor, não só como animal de trabalho, mas também como animal de companhia”, elogia.


