Economia | 24-05-2026 10:00

“Sem Ascensão, a Chamusca não é a mesma”

“Sem Ascensão, a Chamusca não é a mesma”
Convívio de gerações na Ascensão - foto O MIRANTE

Entre touros, fado, associações e reencontros, a Semana da Ascensão da Chamusca voltou a mostrar que a maior festa do concelho é muito mais do que animação e concertos: é pertença, memória e alma ribatejana.

Entre bancas de associações, música, tradição e reencontros, quem participa na Semana da Ascensão da Chamusca garante que a Ascensão vai muito além do cartaz de espectáculos ou das largadas de touros. É um momento de identidade colectiva, de ligação às raízes ribatejanas e de reencontro entre gerações. Para Daniela Alves, 30 anos, natural da Carregueira e actualmente a viver na Chamusca, o primeiro sinal da festa surge quando se começam a montar as estruturas. “É quando começamos a ver as coisas a serem montadas, os bares a aparecer, a parte da largada dos touros a ser montada. É aí que começa”, conta a O MIRANTE. A trabalhar na banca das IPSS do concelho, Daniela diz que a Ascensão representa sobretudo reencontros e tradição. “É o encontro de amigos, é reencontrarmo-nos todos. É os touros, é a alma ribatejana que nós temos e tanto gostamos”, afirma. Quando se fala na Ascensão, há uma memória que lhe surge de imediato: a quinta-feira da Ascensão e a tradicional largada de touros. “Lembro-me logo de ir para lá muito cedo e ver os touros a passarem em segundos. É das memórias mais antigas que tenho da Ascensão”, recorda.
A quinta-feira é, aliás, apontada por muitos como o ponto alto da semana, quase um ritual obrigatório da Chamusca. Maria Pinho, 26 anos, do Grupo Desportivo de Pinheiro Grande, não hesita em dizer que numa Ascensão nunca podem faltar “vida, festa, fado e touros na rua”. Para a jovem, a festa continua a ser o maior símbolo do concelho. “Se não houver Ascensão, a Chamusca não é a mesma”, resume. Ao lado, Rui Guedelha, presidente do Grupo Desportivo de Pinheiro Grande, acrescenta outra dimensão à festa, para lá da componente taurina e recreativa. Para o dirigente, o “ADN da Ascensão” está também na forma como famílias e amigos se reencontram ao longo destes dias. “Há muita gente que tira férias para juntar as famílias nesta semana e estar em festa dentro da própria festa”, explica.
Na Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense Vitória, o ambiente da festa começou igualmente muito antes da abertura oficial. A presidente da colectividade, Maria Eduarda Caetano, explica que a preparação arrancou logo em Janeiro, devido ao envolvimento da filarmónica na programação. Mais do que as largadas de touros ou os concertos, a dirigente considera que o verdadeiro espírito da Ascensão está na união das freguesias e das associações do concelho. “O companheirismo e o associativismo é o que representa para mim a Ascensão. Esta é a festa da terra e vai-se buscar um bocadinho de cada freguesia do concelho. A Carregueira dá-lhe a música, a Chamusca dá-lhe os forcados e outras freguesias dão outros contributos. Para mim é isso que faz a Ascensão”, afirma. Aos 55 anos, Maria Caetano guarda memórias de uma festa muito diferente da actual. Recorda as antigas barraquinhas de artesanato, as mulheres da Carregueira a fazer renda ao vivo, os bailes tradicionais junto à ponte da Chamusca e os desfiles em que participou enquanto elemento da filarmónica. “As memórias que me vêm logo à cabeça são de quando era mais nova. E isso só demonstra a importância desta festa, porque passadas décadas ainda me lembro da Ascensão de quando era miúda”, sublinha.

Rui Guedelha e Maria Pinha - foto O MIRANTE
Elementos da banda filarmónica da Carregueira e presidente Maria Caetano - foto O MIRANTE
Daniela Alves - foto O MIRANTE
Não faltou a música pela banda filarmónica - foto O MIRANTE

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