Economia | 02-06-2026 18:02

Governo admite lay-off até 400 trabalhadores na Mitsubishi do Tramagal

Governo admite lay-off até 400 trabalhadores na Mitsubishi do Tramagal

Governo confirma que o IEFP está em contacto com a Mitsubishi Fuso Truck Europe, no Tramagal, depois de a empresa ter admitido a intenção de avançar com um eventual processo de lay-off que poderá abranger até 400 trabalhadores durante o mês de Julho.

A fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe, no Tramagal, concelho de Abrantes, volta a estar no centro das preocupações laborais e políticas da região. Em resposta a uma pergunta parlamentar do Partido Comunista Português, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social afirma que não foi comunicada à Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho qualquer situação envolvendo a empresa, incluindo despedimento colectivo, nem foi solicitada a abertura de processo de prevenção de conflitos. A resposta do Governo adianta ainda que a Autoridade para as Condições do Trabalho realizou uma visita inspectiva ao local, no Tramagal, e que, até à data da informação prestada, não estava em vigor nem tinha sido requerido qualquer processo de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos por crise empresarial. Também não existiam registos de pedidos de intervenção apresentados por trabalhadores ou associações sindicais.
Apesar disso, o próprio Governo reconhece que o Instituto do Emprego e Formação Profissional, através do Centro de Emprego e Formação Profissional de Abrantes, se encontra em articulação directa com a empresa. Segundo a resposta oficial, a Mitsubishi informou da intenção de avançar com um eventual lay-off que poderá envolver até 400 postos de trabalho durante o mês de Julho de 2026. Foi realizada uma reunião a 30 de Março com responsáveis dos Recursos Humanos da empresa, tendo o IEFP enviado propostas de respostas formativas, que só poderão ser formalizadas após aprovação do lay-off pela Segurança Social. Para o PCP, a resposta do Governo é “reveladora” e demonstra que o executivo tinha conhecimento da situação, apesar de afirmar que não havia comunicação formal de lay-off ou despedimento. A Comissão Concelhia de Abrantes do PCP acusa o Governo de se limitar a acompanhar o processo e a preparar as suas consequências, num momento em que, segundo os comunistas, estão em causa cortes salariais, a extinção de dezenas de postos de trabalho e despedimentos de trabalhadores com vínculos precários.
Os comunistas consideram “inaceitável” que uma empresa estratégica para a região e para o país avance com um processo que poderá fazer os trabalhadores perder parte dos seus salários, enquanto o Estado suporta custos e abdica de receitas para a Segurança Social. No comunicado, o PCP apela ainda à participação dos trabalhadores na greve geral de 3 de Junho e garante que continuará a exigir a defesa dos postos de trabalho, dos salários e do futuro da fábrica do Tramagal.

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