Economia | 19-06-2026 12:48
Crescimento económico e menor oferta pesam mais nos preços da habitação
foto ilustrativa
Investigação sobre o mercado imobiliário português entre 2000 e 2025 conclui que o rendimento das famílias e a escassez de construção têm maior peso na evolução dos preços do que as taxas de juro no curto prazo.
O crescimento económico e a redução da oferta de habitação têm mais influência na evolução dos preços das casas em Portugal do que as taxas de juro no curto prazo, conclui uma investigação coordenada pelo docente e investigador Fernando Oliveira Tavares, do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra.
“As conclusões do estudo é que, embora a taxa de juro seja importante, as condições do crescimento económico do país e da oferta de habitação na construção têm um impacto maior em termos dos preços da habitação do que propriamente as taxas de juros no curto prazo”, afirmou à agência Lusa Fernando Oliveira Tavares.
A investigação, intitulada “Evolution of the Real Estate Market in Portugal in the 21st Century”, analisou a evolução do mercado imobiliário em Portugal entre 2000 e 2025, com base em 100 observações trimestrais e em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Banco de Portugal e do Eurostat.
O estudo é assinado por Fernando Oliveira Tavares, do ISMT e da Universidade Portucalense, Luís Pacheco e Margarita Carvalho, ambos da Universidade Portucalense, e Elisabeth T. Pereira, da Universidade de Aveiro.
Segundo o investigador, apesar de as taxas de juro serem relevantes para o crescimento económico, o rendimento disponível das famílias “tem um impacto maior no crescimento dos preços da habitação”.
Fernando Oliveira Tavares sublinhou também o peso da escassez da oferta, referindo que a construção “caiu bastante” e que “a reabilitação no centro das cidades praticamente é nula”, factores que têm “um impacto grande” no aumento dos preços.
Desde o início do século, a construção de nova habitação em Portugal caiu cerca de 70%, criando um défice estrutural de oferta que o mercado ainda não conseguiu recuperar. A este desajuste soma-se o aumento dos custos de construção, que subiram mais de 40% na última década.
“A política fiscal também poderia ajudar, mas basicamente o que condiciona o preço da habitação é a oferta baixa e a procura tem-se mantido elevada, fruto essencialmente do acumular dos anos de pouca oferta em termos de construção”, referiu.
O investigador observou ainda que a população que chega do estrangeiro para trabalhar em Portugal poderá procurar habitação, mas, numa fase inicial, tenderá a dirigir-se ao mercado de arrendamento e não ao mercado de compra.
O estudo centrou-se no mercado de compra de habitação, deixando como pista para investigação futura a análise do mercado de arrendamento.
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