Economia | 28-06-2026 07:00

Agricultores pedem a Montenegro em Santarém que não recue na reforma laboral

Agricultores pedem a Montenegro em Santarém que não recue na reforma laboral

Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) pediu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não desista da reforma laboral, considerando que as actuais regras não respondem às necessidades de um sector marcado pela falta de mão-de-obra, pela pressão dos custos de produção e por uma concorrência cada vez mais difícil com Espanha.

O apelo foi feito durante a visita de Luís Montenegro à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, no dia 11 de Junho, onde o chefe do Governo contactou com produtores, dirigentes associativos e representantes do sector agrícola. O presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, aproveitou a presença do primeiro-ministro para colocar a reforma das leis laborais no centro das prioridades. O dirigente defendeu que a agricultura precisa de instrumentos mais flexíveis para responder aos picos de trabalho, sobretudo em campanhas agrícolas onde o tempo de colheita é curto e a falta de braços pode significar perdas elevadas. “Há trabalhadores estrangeiros que querem trabalhar mais para acumular mais rendimento e mandar dinheiro para as famílias. É por isso que a CAP pede-lhe que não desista da reforma das leis laborais, porque precisamos de mão-de-obra”, afirmou Álvaro Mendonça e Moura. O presidente da CAP defendeu medidas como o banco de horas individual e a revisão dos limites das horas extraordinárias, apelando aos partidos para que olhem para esta discussão também a partir da realidade da agricultura e da floresta.
Fátima Silva, produtora de mirtilos da Guarda, deu voz a uma situação que muitos agricultores dizem enfrentar no terreno: trabalhadores disponíveis, explorações com produção para colher e processos administrativos que se arrastam. “Temos 15 pessoas hospedadas, do Nepal, à espera dos documentos que nunca mais chegam, e eu tenho um terreno tão cheio de fruta que aquilo é de deitar as mãos à cabeça e não tenho quem colha”, lamentou. A produtora explicou que os trabalhadores que já estão ao serviço se encontram legalizados, mas que outros continuam impedidos de trabalhar devido à falta de documentação. A CAP aproveitou ainda a ocasião para reclamar um reforço dos apoios aos combustíveis, lembrando que os agricultores portugueses competem directamente com produtores espanhóis que, segundo a confederação, beneficiam de apoios mais favoráveis. “Nós não queremos ser espanhóis, mas queremos poder competir em condições de igualdade com os nossos colegas espanhóis”, afirmou Álvaro Mendonça e Moura.

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