AIP vê no lítio do Barroso uma oportunidade para criar nova fileira industrial em Portugal
A Associação Industrial Portuguesa visitou o Projecto de Lítio do Barroso, em Boticas, e considera que o investimento de 280 milhões de euros e a produção prevista de espodumena têm potencial para reforçar a competitividade da economia portuguesa, criar mais de 300 empregos directos e posicionar o país nas cadeias de valor europeias das matérias primas críticas.
A Associação Industrial Portuguesa (AIP) visitou o Projecto de Lítio do Barroso, promovido pela Savannah Resources, no concelho de Boticas, e saiu do terreno com a convicção de que o empreendimento representa uma oportunidade estratégica para Portugal. A delegação, liderada pelo presidente José Eduardo Carvalho, conheceu em detalhe a dimensão económica, industrial e ambiental do projecto, classificado pela União Europeia como projecto estratégico e considerado o segundo mais avançado da Europa.
Com recursos estimados em 39 milhões de toneladas de minério e uma produção anual prevista de 200 mil toneladas de concentrado de espodumena, o projecto terá capacidade para produzir matéria‑prima suficiente para cerca de 30 GWh de baterias por ano, o equivalente a mais de 500 mil veículos eléctricos. A produção poderá representar cerca de 50% da meta europeia de lítio para 2030, reforçando a autonomia estratégica da Europa no acesso a matérias‑primas críticas.
O investimento previsto ascende a 280 milhões de euros e deverá criar mais de 300 empregos directos e até 2.000 indirectos, com impacto significativo na economia do Alto Tâmega. A AIP sublinha o efeito multiplicador sobre empresas da construção, metalomecânica, engenharia, logística, transportes, manutenção industrial e serviços especializados.
A associação considera ainda que o projecto poderá ser determinante para consolidar uma cadeia de valor nacional ligada à mobilidade eléctrica e às tecnologias de armazenamento de energia. A disponibilidade de lítio produzido em Portugal poderá atrair investimentos na refinação, produção de materiais activos, fabrico de baterias, componentes automóveis e reciclagem de matérias‑primas críticas, permitindo ao país captar maior valor acrescentado.
Durante a visita, a delegação conheceu também as soluções de integração ambiental, os estudos técnicos desenvolvidos e o trabalho de relacionamento com as comunidades locais, bem como os mecanismos de monitorização ambiental previstos. Para a AIP, projectos desta natureza são essenciais num contexto em que a Europa procura reforçar a sua soberania industrial e reduzir dependências externas. A associação defende que a valorização dos recursos minerais nacionais deve integrar uma estratégia industrial que assegure padrões ambientais elevados, criação de valor em território nacional e benefícios duradouros para as comunidades e para a economia portuguesa.


