Abrantes diz que megacentro do Pego avança mas sete mil milhões continuam sob escrutínio
Câmara de Abrantes garante que o megacentro de dados de sete mil milhões de euros previsto para os terrenos da antiga RPP Solar, junto à Central do Pego, continua a avançar, apesar das dúvidas sobre financiamento e licenciamento.
A Câmara de Abrantes garante que o investimento de sete mil milhões de euros para instalar um megacentro de dados nos antigos terrenos da RPP Solar, junto à Central do Pego, continua em marcha. Depois de meses de dúvidas sobre investidores, financiamento e licenciamento, o município revela que os promotores já compraram os 83 hectares, avançaram com pedidos urbanísticos e garantiram 300 megawatts de potência na rede eléctrica. O vice-presidente da autarquia, João Gomes, afirmou na reunião de 21 de Julho que o processo é acompanhado “quase semanalmente” e está mais próximo da concretização do que há um ano. A aquisição dos terrenos terá representado 27,5 milhões de euros e beneficiou de uma isenção de IMT de cerca de 1,8 milhões. Já deram entrada um pedido para demolir as antigas instalações e um pedido de informação prévia, que deverá ser apreciado depois da entrada em vigor do novo Plano Director Municipal, prevista para Setembro.
A potência assegurada junto da Rede Eléctrica Nacional é considerada decisiva para viabilizar o empreendimento. A empresa mantém 2028 como meta para colocar em funcionamento o primeiro bloco, embora o processo ainda dependa de licenciamentos da Agência Portuguesa do Ambiente e da Direcção-Geral de Energia e Geologia. O projecto foi anunciado em Setembro de 2025 com a promessa de criar 450 empregos directos e 700 indirectos até 2030. A câmara classificou-o como Projecto Empresarial de Importância Municipal e aprovou benefícios em IMI, IMT e derrama avaliados em 16,2 milhões de euros. O anúncio, porém, nunca deixou de ser acompanhado por reservas da oposição, que exige informação sobre os investidores e garantias para proteger o município caso o negócio não avance.
As dúvidas ganham peso por o local já ter sido palco do fracassado projecto da RPP Solar, apresentado há cerca de 16 anos como uma operação industrial milionária que nunca se concretizou. João Gomes garante que o protocolo permite reverter os benefícios fiscais se os compromissos forem incumpridos e rejeita a exigência de uma garantia bancária adicional. A antiga central do Pego tornou-se entretanto um pólo de atracção para investimentos ligados à energia e à tecnologia. Além deste megacentro, a câmara já reconheceu a viabilidade urbanística de um segundo centro de dados, promovido pela Hyperion Renewables Services, junto ao ponto de injecção eléctrica de Alvega.


