Economia | 23-07-2026 15:00

Mais de 60% do investimento previsto pela Câmara de Coruche em 2025 ficou por fazer

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foto ilustrativa

Relatório de gestão da Câmara de Coruche aponta para um resultado líquido positivo de 2,47 milhões de euros e para disponibilidades próximas dos 24 milhões, mas a concretização do Plano Plurianual de Investimentos ficou aquém do previsto, o que mereceu críticas da oposição.

A Câmara de Coruche encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido positivo de 2.472.416 euros, mais 46,8% face ao ano anterior, num quadro financeiro que a autarquia considera marcado por “uma consistente estabilidade financeira”. De acordo com o relatório de gestão, a receita total arrecadada atingiu cerca de 32,8 milhões de euros, enquanto a despesa total se fixou em 26,37 milhões de euros, gerando um saldo positivo superior a 6,3 milhões de euros.
A autarquia destaca ainda indicadores de solidez financeira, como uma autonomia financeira de 96% e uma liquidez elevada, que, segundo o município, asseguram capacidade para cumprir compromissos de curto prazo e promover o desenvolvimento económico e social do concelho. A leitura das contas, porém, não se esgota nos indicadores positivos. No que respeita ao investimento, o município aplicou cerca de 6,59 milhões de euros no Plano Plurianual de Investimentos, correspondente a uma taxa de execução de 37,5%, o que significa que mais de 60% do investimento inicialmente previsto ficou por realizar.
Foi precisamente esse contraste entre a robustez financeira e a baixa execução do investimento que levou Osvaldo Ferreira, vereador eleito pelo movimento independente Volta Coruche/25, a manifestar reservas quanto à forma como os resultados financeiros foram apresentados. Apesar de reconhecer a importância de uma situação financeira equilibrada, o vereador defende que os números devem ser analisados de forma mais abrangente e não apenas à luz do resultado líquido positivo e das disponibilidades financeiras próximas dos 24 milhões de euros.
“Uma câmara municipal não existe para acumular dinheiro nem para apresentar saldos financeiros avultados no final do ano”, afirmou Osvaldo Ferreira, considerando que os recursos públicos devem traduzir-se em “investimento, desenvolvimento, qualidade de vida, apoio às famílias, criação de emprego e melhores condições para quem vive e trabalha no concelho”.
O autarca sublinhou que uma taxa de execução do investimento de 37,5% significa que, “por cada 100 euros que a câmara previa investir em obras, equipamentos, requalificações e melhorias para a população, apenas conseguiu executar cerca de 37 euros”.

“Não faltam necessidades”
Para o Movimento Independente Volta Coruche/25, este dado deve merecer reflexão, até porque “não faltam necessidades em Coruche, na Branca, no Biscainho, no Couço, na Erra, na Fajarda, na Lamarosa ou em Santana do Mato e quem percorre o concelho e fala com as populações sabe que continuam a existir investimentos importantes por concretizar”, afirmou o vereador.
A discussão das contas levou ainda Osvaldo Ferreira a recuperar a posição assumida pelo movimento na votação da participação variável do IRS. O Volta Coruche/25 propôs a redução da taxa municipal para 2%, proposta que foi rejeitada pelo PS e pelo PSD, tendo sido aprovada uma taxa de 2,5%. “Perante os resultados agora conhecidos, é legítimo perguntar se faz sentido continuar a exigir um maior esforço fiscal aos munícipes quando o município demonstra dificuldades em executar uma parte significativa do investimento que se propõe realizar”, afirmou.
No final da intervenção, o movimento independente apresentou três propostas: a elaboração de um plano de aceleração da execução municipal, com identificação dos constrangimentos projecto a projecto; a criação de mecanismos públicos de acompanhamento dos principais investimentos municipais; e a preparação, nos próximos instrumentos financeiros, de uma redução da carga fiscal municipal.

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