Economia | 31-07-2026 21:00

ALAMBI alerta para falhas nas redes de água e saneamento de Alenquer

ALAMBI alerta para falhas nas redes de água e saneamento de Alenquer

As redes de saneamento do concelho de Alenquer continuam a revelar problemas significativos com níveis reduzidos de reabilitação e monitorização e um elevado número de inundações nas condutas. O alerta é da ALAMBI, que analisou os indicadores da ERSAR e defende uma maior fiscalização e investimento nas infraestruturas municipais.

A Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (ALAMBI) alerta para várias fragilidades nas redes de abastecimento de água e saneamento do concelho de Alenquer, com base nos dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), divulgados em 2024. Apesar de considerar pouco provável que o concelho enfrente uma situação semelhante à registada recentemente em Almada, a associação identifica problemas ao nível da gestão das infraestruturas, sobretudo na rede de saneamento.
Em comunicado, a ALAMBI recorda que o abastecimento de água em alta no concelho é assegurado pelo grupo Águas de Portugal e que Alenquer dispõe ainda de duas importantes captações subterrâneas, localizadas em Alenquer e na Ota, o que constitui um factor de segurança em períodos de escassez hídrica. No entanto, refere que a avaliação da ERSAR aponta algumas insuficiências na rede de abastecimento. Entre elas está a reduzida taxa de reabilitação das condutas, que se situa em 0,7% por ano, abaixo dos valores considerados adequados, entre 1,5% e 4%. Também a dotação de recursos humanos merece reparos, já que a concessionária Águas de Alenquer dispõe de 1,4 trabalhadores por cada mil ramais, quando a referência para um serviço de qualidade varia entre dois e 3,5 trabalhadores.
Outro aspecto assinalado é a baixa produção própria de energia renovável, que representa apenas 2% das necessidades do sistema, quando deveria atingir pelo menos 10%. As críticas vão ainda para a rede de saneamento, propriedade da Câmara de Alenquer e gerida pela concessionária Águas de Alenquer. Segundo a ERSAR, o sistema apresenta um número elevado de inundações nas condutas, registando 3,85 ocorrências por mil ramais e por ano, muito acima do valor de referência, que varia entre zero e 0,25, conforme também tem vindo a noticiar O MIRANTE.

Reabilitação de colectores insuficiente
A taxa de reabilitação dos colectores é igualmente considerada insuficiente, ficando em 0,1% anuais, quando deveria situar-se entre 1,5% e 4%. A monitorização da rede também está longe dos parâmetros recomendados: apenas 1% dos colectores é inspeccionado ao longo do ano, quando o valor de referência é de pelo menos 75%.
A associação destaca ainda a reduzida eficiência energética das 14 estações elevatórias existentes e a inexistência de produção de energia renovável nos locais de consumo, situação que, segundo a ERSAR, deveria assegurar pelo menos 10% das necessidades energéticas.
Outro dos problemas apontados prende-se com a taxa de controlo das descargas de emergência e de tempestade, que atinge apenas 57%, quando o valor recomendado se situa entre 90% e 100%. A ALAMBI considera que este indicador revela uma excessiva entrada de águas pluviais na rede de saneamento doméstico, obrigando frequentemente ao desvio de caudais para as linhas de água sem tratamento prévio nas ETAR. A associação admite que parte do problema poderá resultar de ligações incorrectas efectuadas no passado entre redes pluviais privadas e os colectores de saneamento doméstico.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal