Borras dos cafés Delta ganham nova vida em fábrica de cogumelos inovadora
Grupo Nabeiro-Delta Cafés apadrinhou um projecto que pretende mostrar que é possível produzir alimentos em escala dentro das cidades, aproveitando recursos locais e reduzindo o impacto ambiental associado à produção alimentar.
As borras de 15 milhões de expressos de café Delta por ano vão ganhar uma nova vida como adubo natural para uma fábrica de cogumelos em Odivelas. A Nãm Fungi Factory, que representa um investimento de um milhão de euros, foi inaugurada na manhã de segunda-feira, 14 de Setembro, e é apadrinhada pelo grupo Nabeiro-Delta Cafés, através da incubadora e aceleradora de start-ups do grupo, a Delta Ventures, criada em 2020.
A fábrica vai ter uma capacidade de produção de 150 toneladas de cogumelos frescos por ano, dez vezes mais que a anterior produção, num negócio que nasceu na cave do prédio onde vivia Natan Jacquemin, o fundador da Nãm, há sete anos. Agora, com uma capacidade reforçada, o empresário sonha tornar-se numa das maiores produções urbanas de cogumelos na Europa, empregando duas dezenas de pessoas e permitindo reaproveitar 150 toneladas de borras de café por ano, recolhidas pela própria cadeia de distribuição da Delta Cafés. “Em boa hora procurei o café Delta para ser parceiro, porque estávamos a precisar de cada vez mais borras de café”, brincou o empresário, na apresentação onde estiveram várias dezenas de convidados, incluindo a ministra do Ambiente e da Energia.
O presidente executivo (CEO) do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, Rui Miguel Nabeiro, destaca o papel de referência em Portugal da Nãm enquanto exemplo máximo dos princípios da economia circular. “O que começou com a transformação das nossas borras de café numa nova matéria-prima é hoje um projecto de referência em Portugal e com ambição europeia. Muitas vezes é preciso ir buscar boas ideias fora das nossas portas e este é um bom exemplo disso”, afirmou o responsável. Aos jornalistas, Rui Miguel Nabeiro disse que a estratégia passa agora por ganhar escala e acelerar o crescimento do negócio, sobretudo através do reforço da capacidade de servir clientes de retalho.
Cogumelos que rendem um milhão
Segundo Rui Miguel Nabeiro, a Nãm deverá ultrapassar este ano um milhão de euros de facturação, enquanto a Delta Cafés já superou, pela primeira vez, os 700 milhões de euros. “O nosso objectivo é ganhar escala e podermos, sobretudo nesta fase, acelerar o ritmo de crescimento do negócio”, afirmou o empresário, acrescentando que a rentabilidade continua a ser uma premissa essencial para o projecto. “Não há sustentabilidade ambiental se não houver sustentabilidade económica, porque os projectos morrem”, avisou.
A nova unidade funciona totalmente alimentada por energia solar para autoconsumo e permite reutilizar e recircular cerca de 80% da água usada no processo produtivo. Para Rui Miguel Nabeiro, o projecto representa uma oportunidade para transformar um resíduo do negócio do café num subproduto com valor económico, conciliando crescimento, inovação e sustentabilidade. Segundo o CEO, a borra proveniente das operações de ‘vending’ da Delta é particularmente adequada ao processo por ser mais limpa e permitir acelerar a produção. Neste sentido, a expansão internacional não é, nesta fase, a principal prioridade. “A nossa ambição hoje passa muito mais por crescer em Portugal”, afirmou Rui Miguel Nabeiro, apontando para a possibilidade de criar unidades ou ‘hubs’ semelhantes noutras cidades portuguesas.
A Nãm dispõe actualmente de uma pequena operação de ‘vending’ em Espanha, pelo que uma futura extensão internacional do projecto não está excluída, mas dependerá do crescimento das operações que asseguram o fornecimento de borra de café.
Já Natan Jacquemin adiantou que a empresa é rentável e pretende reforçar a presença no retalho, depois de uma primeira fase de forte aposta na restauração, sobretudo em Lisboa, Cascais e Setúbal. “Queremos focar-nos muito no retalho para dar a conhecer a marca a toda a gente”, afirmou o fundador.


