Economia | 18-09-2026 21:00

Borras dos cafés Delta ganham nova vida em fábrica de cogumelos inovadora

Borras dos cafés Delta ganham nova vida em fábrica de cogumelos inovadora
Nova fábrica de cogumelos inaugurada esta semana em Odivelas vai permitir produzir 150 toneladas de cogumelos frescos - foto O MIRANTE

Grupo Nabeiro-Delta Cafés apadrinhou um projecto que pretende mostrar que é possível produzir alimentos em escala dentro das cidades, aproveitando recursos locais e reduzindo o impacto ambiental associado à produção alimentar.

As borras de 15 milhões de expressos de café Delta por ano vão ganhar uma nova vida como adubo natural para uma fábrica de cogumelos em Odivelas. A Nãm Fungi Factory, que representa um investimento de um milhão de euros, foi inaugurada na manhã de segunda-feira, 14 de Setembro, e é apadrinhada pelo grupo Nabeiro-Delta Cafés, através da incubadora e aceleradora de start-ups do grupo, a Delta Ventures, criada em 2020.
A fábrica vai ter uma capacidade de produção de 150 toneladas de cogumelos frescos por ano, dez vezes mais que a anterior produção, num negócio que nasceu na cave do prédio onde vivia Natan Jacquemin, o fundador da Nãm, há sete anos. Agora, com uma capacidade reforçada, o empresário sonha tornar-se numa das maiores produções urbanas de cogumelos na Europa, empregando duas dezenas de pessoas e permitindo reaproveitar 150 toneladas de borras de café por ano, recolhidas pela própria cadeia de distribuição da Delta Cafés. “Em boa hora procurei o café Delta para ser parceiro, porque estávamos a precisar de cada vez mais borras de café”, brincou o empresário, na apresentação onde estiveram várias dezenas de convidados, incluindo a ministra do Ambiente e da Energia.
O presidente executivo (CEO) do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, Rui Miguel Nabeiro, destaca o papel de referência em Portugal da Nãm enquanto exemplo máximo dos princípios da economia circular. “O que começou com a transformação das nossas borras de café numa nova matéria-prima é hoje um projecto de referência em Portugal e com ambição europeia. Muitas vezes é preciso ir buscar boas ideias fora das nossas portas e este é um bom exemplo disso”, afirmou o responsável. Aos jornalistas, Rui Miguel Nabeiro disse que a estratégia passa agora por ganhar escala e acelerar o crescimento do negócio, sobretudo através do reforço da capacidade de servir clientes de retalho.

Cogumelos que rendem um milhão
Segundo Rui Miguel Nabeiro, a Nãm deverá ultrapassar este ano um milhão de euros de facturação, enquanto a Delta Cafés já superou, pela primeira vez, os 700 milhões de euros. “O nosso objectivo é ganhar escala e podermos, sobretudo nesta fase, acelerar o ritmo de crescimento do negócio”, afirmou o empresário, acrescentando que a rentabilidade continua a ser uma premissa essencial para o projecto. “Não há sustentabilidade ambiental se não houver sustentabilidade económica, porque os projectos morrem”, avisou.
A nova unidade funciona totalmente alimentada por energia solar para autoconsumo e permite reutilizar e recircular cerca de 80% da água usada no processo produtivo. Para Rui Miguel Nabeiro, o projecto representa uma oportunidade para transformar um resíduo do negócio do café num subproduto com valor económico, conciliando crescimento, inovação e sustentabilidade. Segundo o CEO, a borra proveniente das operações de ‘vending’ da Delta é particularmente adequada ao processo por ser mais limpa e permitir acelerar a produção. Neste sentido, a expansão internacional não é, nesta fase, a principal prioridade. “A nossa ambição hoje passa muito mais por crescer em Portugal”, afirmou Rui Miguel Nabeiro, apontando para a possibilidade de criar unidades ou ‘hubs’ semelhantes noutras cidades portuguesas.
A Nãm dispõe actualmente de uma pequena operação de ‘vending’ em Espanha, pelo que uma futura extensão internacional do projecto não está excluída, mas dependerá do crescimento das operações que asseguram o fornecimento de borra de café.
Já Natan Jacquemin adiantou que a empresa é rentável e pretende reforçar a presença no retalho, depois de uma primeira fase de forte aposta na restauração, sobretudo em Lisboa, Cascais e Setúbal. “Queremos focar-nos muito no retalho para dar a conhecer a marca a toda a gente”, afirmou o fundador.

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