Economia | 16-10-2026 18:00

Porque é que vejo desfocado?

Porque é que vejo desfocado?
Diogo Cavalheiro, coordenador de Oftalmologia no Hospital CUF Santarém - DIVULGAÇÃO / foto DR

Miopia, hipermetropia e astigmatismo são os problemas de visão mais comuns. Descubra as respostas que existem para “ver o mundo com outros olhos”.

“Doutor, estou a ver desfocado” é talvez a queixa que mais ouço em consulta. A causa é, quase sempre, um erro refrativo, ou seja, uma alteração na forma como o olho foca a luz. Essa alteração faz com que a imagem não se forme corretamente na retina.
Há quatro tipos principais de erros refrativos: a miopia, que dificulta a visão ao longe; a hipermetropia, que afeta sobretudo a forma como focamos ao perto; o astigmatismo, que distorce a imagem a qualquer distância; e a presbiopia, que afeta praticamente toda a gente a partir dos 40 a 45 anos e não é propriamente uma doença — corresponde àquele momento em que o braço começa a ficar curto para ver a ementa ou o telemóvel.
Os sinais associados aos erros refrativos raramente são dramáticos. Passam por visão desfocada, dores de cabeça ao fim do dia, olhos cansados depois de horas em frente ao computador e o hábito de franzir os olhos sem dar por isso. Muitas pessoas convivem anos com estes sintomas, convencidas de que é tudo normal. Mas a verdade é que há soluções para voltar a ver bem.
O diagnóstico é rápido. Uma consulta de oftalmologia permite determinar rapidamente as dioptrias a corrigir. Já para essa correção, existem várias respostas. Os óculos continuam a ser a solução mais simples e também a mais usada. As lentes de contacto dão liberdade a quem faz desporto e são uma alternativa para quem não gosta de óculos. Mas há também quem não queira depender de nenhuma dessas opções. Nesses casos, a cirurgia refrativa, que é hoje um procedimento seguro e consolidado, pode ser a melhor resposta. Técnicas como o LASIK ou o TransPRK remodelam a córnea a laser, em poucos minutos. As lentes intraoculares são outra possibilidade, mas não servem para toda a gente. A decisão depende do olho, das dioptrias e da idade de cada pessoa.
Um alerta sobre os mais novos: uma criança que vê mal raramente se queixa, simplesmente porque não sabe que é possível ver melhor. Daí a importância dos exames de diagnóstico na idade pré-escolar, mesmo na ausência de sintomas evidentes. Detetado a tempo, um erro refrativo corrige-se; detetado tarde, pode deixar sequelas como a ambliopia, ou seja, o “olho preguiçoso”.
Ver bem não é um pormenor. Se tem sintomas, não adie uma visita ao seu oftalmologista.

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