Economia | 28-10-2026 21:00

Habitação, emprego e salários dignos são as grandes prioridades para melhorar a vida na região

Habitação, emprego e salários dignos são as grandes prioridades para melhorar a vida na região

Falta de casas a preços acessíveis, a necessidade de criar mais emprego e a aposta na qualificação dos jovens estão entre as principais preocupações de quem vive e trabalha na região. O MIRANTE conversou com várias personalidades da região durante a cerimónia Galardão Empresa do Ano que defendem mais apoios às pequenas empresas, maior capacidade de atrair investimento e um tecido empresarial mais competitivo. Apesar de reconhecerem melhorias na qualidade de vida em cidades como Santarém e Torres Novas, consideram que ainda há muito por fazer para garantir um futuro com mais oportunidades, estabilidade económica e condições para fixar as novas gerações.

José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, Vale de Moinhos

José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, Vale de Moinhos

Existência de oportunidades de trabalho é fundamental

A criação de emprego é, para José Eduardo Carvalho, a principal prioridade para melhorar a qualidade de vida na região. O presidente da AIP – Asociação Industrial Portuguesa considera que a existência de oportunidades de trabalho é fundamental para garantir melhores condições de vida e bem-estar à população.
Na localidade onde vive, Vale de Moinhos, no concelho de Santarém, valoriza sobretudo a tranquilidade e o contacto com a natureza. Explica que escolheu viver fora da cidade, afastado da malha urbana, precisamente para desfrutar do ambiente rural.
Quanto ao futuro, José Eduardo Carvalho gostaria que Portugal se aproximasse dos modelos sociais e económicos da Noruega, da Dinamarca e da Finlândia. Apesar de considerar pouco provável que essa transformação aconteça durante a sua vida, encara-a como um desafio e mantém a esperança de que o país possa evoluir nesse sentido.

Bruno Violante - Fundador da empresa Estofador O Violante em Torres Novas

Bruno Violante - Fundador da empresa Estofador O Violante em Torres Novas

“Temos de proporcionar aos jovens a aprendizagem de novas profissões”

As prioridades para melhorar a vida de quem vive nesta região será sempre na base do trabalho, das qualificações e da integração das pessoas. Temos que proporcionar aos jovens a aprendizagem de novas profissões, novos desempenhos e novas vocações onde muitas vezes a mão-de-obra escasseia, como é exemplo a minha profissão, que se vê particularmente abrangida nesse sentimento de dor que é a mão-de-obra.
Gostava que Portugal fosse um país inovador, mais dentro da ecologia, onde tudo se pudesse auto-renovar e com directrizes nos campos económico-financeiros, especialmente para aqueles que estão a iniciar a vida profissional e que tentam prosperar.
Sou da zona de Santarém, mas exerço actividade em Torres Novas. Nesta última localidade penso que a segurança é um dos pontos que está melhor, assim como os espaços verdes. O actual executivo municipal é bom e, portanto, tem tudo para prosperar, se bem que Torres Novas está a parar um bocadinho a nível de investimento.

António Campos - Consultor na Gestionex, Unipessoal Lda., Santarém

António Campos - Consultor na Gestionex, Unipessoal Lda., Santarém

“Precisamos de um tecido empresarial mais robusto, inovador e competitivo”

Essencialmente para melhorar a vida das pessoas na região devemos ter um tecido empresarial mais robusto, mais inovador e mais competitivo. Isto vai permitir a internacionalização ou a cadeia de exportação, que é um foco importante para as empresas. Tendo estas três situações, acho que nos permite criar um desenvolvimento mais harmonioso das empresas e, portanto, as populações também vão sentir a distribuição de riqueza.
Queremos um país com conhecimento em que as pessoas são reconhecidas por aquilo que fazem, por aquilo que produzem e que acrescentam à sociedade, seja em termos empresariais, em voluntariado, na área da cultura ou noutro ramo.
Sendo de Santarém penso que está melhor, tem estado com uma dinâmica muito forte. O município, que é e deve ser um grande motor de desenvolvimento, tem cumprido nos últimos anos este desiderato, que é atrair investimento, melhorar as condições das ruas, da limpeza e facilitar a vinda de empresários.
Em termos gerais, o município tem vindo a trabalhar muito bem e não tenho nada a dizer de negativo. Na área empresarial tem havido esse cuidado e inteligência de encontrar parceiros que possam trazer esse desenvolvimento. Tem-se visto, por exemplo, através do custo das casas em Santarém, que é reflexo de muita gente a vir para cá, se vêm é porque há emprego e condições para elas cá ficarem.

Susana Ponciano - Psicóloga na Santa Casa da Misericórdia de Santarém e na SP Clínica em Almeirim

Susana Ponciano - Psicóloga na Santa Casa da Misericórdia de Santarém e na SP Clínica em Almeirim

“A habitação deve ser a prioridade de todos os decisores”

Falando da minha experiência relativamente ao trabalho que desempenho, noto algumas dificuldades por parte das pessoas no que toca à habitação. Há uma escassez nesta matéria e os preços não são acessíveis para a maior parte da população. Por isso, essa deve ser a prioridade de todos os decisores. Gostava que para as próximas gerações o nosso país tivesse mais oportunidades, proporcionando aos jovens melhores empregos, mais bem remunerados, uma vida financeira mais estável e um país mais seguro, visto que, nesta última matéria, temos verificado um aumento da criminalidade. Santarém tem mais vida, neste momento, penso que o município tem estado a fazer um excelente trabalho. Lembro-me de Santarém há 10 anos e, por vezes, era uma terra muito triste com pouca coisa a acontecer, ao invés do que sucede agora em que se verificam muitos eventos e actividades.

Vânia Costa – Restaurante A Cernelha, Cartaxo

Vânia Costa – Restaurante A Cernelha, Cartaxo

“Há falta de pessoas para trabalhar e é preciso mais empenho”

Vânia Costa, responsável pelo restaurante A Cernelha, no Cartaxo, aponta a falta de mão-de-obra como um dos principais problemas enfrentados pelas empresas da região. A empresária lamenta a dificuldade em encontrar trabalhadores e considera que é necessário recuperar o sentido de responsabilidade, a dedicação e o empenho profissional. Na sua opinião, as gerações mais novas devem valorizar mais o trabalho e compreender a importância do compromisso com as funções que desempenham. A escassez de pessoas disponíveis para trabalhar é, no seu entender, um obstáculo ao funcionamento e ao crescimento das actividades económicas. Quando questionada sobre aquilo que o Cartaxo tem de melhor, não hesita na resposta: o vinho, um dos produtos mais emblemáticos e identitários do concelho.

Helena Caetano, funcionária pública, Torres Novas

Helena Caetano, funcionária pública, Torres Novas

Torres Novas é um local interessante para viver

A habitação e a atracção de investimento são as principais prioridades apontadas para melhorar a vida das pessoas na região. A funcionária pública gostaria de deixar às próximas gerações um país onde todos tivessem condições de vida, considerando que Portugal tem muitos aspectos positivos, mas continua a ter margem para melhorar e evoluir. Em Torres Novas, valoriza sobretudo a tranquilidade e a segurança, bem como os espaços verdes onde os netos podem brincar. Destaca ainda a existência de transportes gratuitos, tanto urbanos como através de bicicletas eléctricas. Na sua perspectiva, a proximidade dos serviços e das diferentes valências da cidade tornam Torres Novas um local interessante para viver.

Fernando Batista, gestor de operações, Santarém

Fernando Batista, gestor de operações, Santarém

A questão da habitação deve ser uma prioridade

A habitação é, na opinião de Fernando Batista, uma das prioridades para melhorar a região. O gestor de operações mudou-se para Santarém há pouco tempo e sentiu dificuldades em encontrar casa, sobretudo devido à falta de opções disponíveis no mercado. Considera que existem muitos imóveis devolutos ou que não estão disponíveis para venda ou arrendamento, alguns por estarem envolvidos em processos judiciais. Uma situação que, na sua perspectiva, contribui para a degradação do centro histórico, apesar de ser uma zona atractiva para os jovens.
Para melhorar a cidade, defende uma maior agilização dos processos administrativos e judiciais, nomeadamente os relacionados com heranças, que conhece também por experiência familiar. Quanto ao futuro do país, gostaria que viver no interior fosse tão atractivo como viver em Lisboa ou no Porto, valorizando as cidades de menor dimensão como alternativas para as próximas gerações.

Carlos Miguel Gonçalves Tereso – Flora Garden, Cartaxo

Carlos Miguel Gonçalves Tereso – Flora Garden, Cartaxo

“A carga fiscal tira motivação a quem trabalha e a quem dá emprego”

Carlos Miguel Gonçalves Tereso, da empresa Flora Garden, defende que a criação de emprego e a melhoria das condições de trabalho devem estar entre as prioridades da região. O empresário considera que a elevada carga fiscal penaliza os rendimentos dos trabalhadores e desmotiva quem investe e cria postos de trabalho. Na sua opinião, Portugal precisa de devolver confiança e esperança aos empresários, criando condições para que possam investir, crescer e desenvolver os seus negócios. Quanto ao Cartaxo, mostra-se optimista, apesar do encerramento de várias indústrias ao longo dos anos. Acredita que o concelho está a recuperar o dinamismo económico que tinha há duas décadas e espera que volte a afirmar-se como um território atractivo para novas empresas e investimentos.

Ana Luís – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro

Ana Luís – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro

“Sem casas e salários dignos não conseguimos fixar os jovens”

Ana Luís, directora-geral do Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, considera que a dificuldade no acesso à habitação é um dos maiores obstáculos à fixação de jovens na região. Defende que o país precisa de políticas dirigidas às novas gerações, capazes de responder às necessidades de quem procura construir uma vida independente e às empresas que precisam de trabalhadores. A responsável considera igualmente importante melhorar os salários e aliviar a carga fiscal, criando condições para que os jovens permaneçam no território. Em relação a Santarém, faz um balanço positivo da evolução registada nos últimos anos e acredita que as políticas desenvolvidas têm contribuído para tornar o concelho mais atractivo. Defende que a continuidade dessa estratégia poderá ajudar a captar investimento, criar emprego e reforçar o desenvolvimento económico local.

Nuno Gonçalves – Serviland

Nuno Gonçalves – Serviland

“Portugal não pode mudar de rumo sempre que muda o Governo”

Nuno Gonçalves, da empresa Serviland, considera que a educação e o conhecimento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos portugueses, mas alerta para a falta de uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo. Defende que o país precisa de objectivos concretos e de projectos pensados para 20, 30 ou 40 anos, que não sejam abandonados a cada mudança de Governo. Na sua opinião, os partidos devem ultrapassar as divergências políticas e unir esforços em torno de um projecto comum, capaz de estimular a produção e o crescimento económico. O empresário considera que Portugal continua atrasado em relação a países como Espanha e lamenta a ausência de uma visão consistente para o futuro. Apesar das dificuldades, aponta a paz como uma das maiores riquezas do país e um valor que importa preservar.

Luís Lopes – Loja do Sal, Rio Maior

Luís Lopes – Loja do Sal, Rio Maior

“Os jovens não deviam ter de sair do país para conseguir uma vida melhor”

Luís Lopes, gerente comercial da Loja do Sal, em Rio Maior, considera que a região precisa de melhores empregos, salários mais elevados e serviços públicos de saúde e educação capazes de responder às necessidades da população. O empresário defende que é urgente criar condições para que os jovens possam construir o seu futuro perto das famílias, sem serem obrigados a emigrar à procura de oportunidades. Deseja um Portugal com maior estabilidade financeira, onde trabalhar permita viver com dignidade, constituir família e alcançar alguma tranquilidade. Quanto a Rio Maior, destaca o potencial turístico do concelho, a gastronomia e o desporto como factores de valorização do território. Sublinha ainda a proximidade ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, que considera uma mais-valia para atrair visitantes e dinamizar a economia local.

Rosa Cardoso – Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, Póvoa de Santarém

Rosa Cardoso – Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, Póvoa de Santarém

“Os idosos não podem ser esquecidos nem deixados sem apoio”

Luísa Cardoso, dirigente do Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, na Póvoa de Santarém, defende que a protecção dos idosos deve assumir um lugar central nas prioridades sociais da região. Considera que Portugal precisa de olhar com maior atenção para as pessoas mais vulneráveis, sobretudo aquelas que, pela idade ou pelas suas condições de vida, dependem do apoio de terceiros. Na sua opinião, é fundamental reforçar a solidariedade e garantir que ninguém fica para trás, especialmente numa sociedade cada vez mais envelhecida. Quando questionada sobre o que mais valoriza na Póvoa de Santarém, destaca o Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora da Luz, instituição a cuja direcção pertence e cujo trabalho considera essencial para o bem-estar e apoio à comunidade.

Ana Graça e Rita Faroppa – Escolha Divertida, Torres Novas

Ana Graça e Rita Faroppa – Escolha Divertida, Torres Novas

“Os jovens precisam de oportunidades para serem felizes e construírem o seu futuro”

Ana Graça e Rita Faroppa, da Escolha Divertida, em Torres Novas, defendem que o acesso à habitação, à cultura e à educação deve estar entre as principais prioridades para melhorar a qualidade de vida na região. Consideram igualmente importante aproximar as gerações mais novas da população idosa, promovendo uma sociedade mais solidária e atenta às necessidades de todos. Para o futuro, desejam um país onde os jovens possam concretizar os seus objectivos, viajar, conhecer outras realidades e encontrar no trabalho uma forma de alcançar estabilidade e felicidade. Defendem que o esforço profissional deve traduzir-se em melhores condições de vida e não apenas na capacidade de pagar as despesas do dia-a-dia. Quanto à região, destacam a gastronomia, as paisagens, os recursos naturais e a riqueza cultural como alguns dos seus maiores atractivos.

Rui Violante, estofador auto, Pernes

Rui Violante, estofador auto, Pernes

Governo deve apoiar mais as pequenas empresas

A criação de emprego e a dinamização do comércio são as prioridades para melhorar a qualidade de vida na região. Rui Violante defende que o Governo deve apoiar mais as pequenas empresas, de forma a promover a actividade económica e criar mais oportunidades de trabalho.
Questionado sobre o país que gostaria de deixar às próximas gerações, Rui Violante não conseguiu apontar uma ideia concreta. Já sobre Pernes, destaca a construção de um pavilhão desportivo e considera que a localidade está a evoluir, apontando também a instalação de uma fábrica de cenouras como um sinal de desenvolvimento. Na sua perspectiva, a evolução é igualmente visível ao nível do comércio.

Isabel Martins – Monliz

Isabel Martins – Monliz

“Compramos produtos estrangeiros e esquecemo-nos de valorizar o que é português”

Isabel Martins, da empresa Monliz, defende que os consumidores devem dar maior preferência aos produtos nacionais, contribuindo para o crescimento das empresas portuguesas e para a criação de emprego. A responsável alerta para a forte concorrência de produtos estrangeiros, nomeadamente espanhóis e belgas, que chegam ao mercado a preços mais competitivos e que acabam muitas vezes por conquistar a preferência dos consumidores. Considera que o aumento das vendas de produtos portugueses permitiria reforçar a produção e abrir novas oportunidades de trabalho. Olhando para as próximas gerações, manifesta preocupação com a perda de identidade cultural provocada pela globalização. Defende que os jovens devem conhecer, respeitar e preservar as tradições nacionais. Aponta o Ribatejo como um exemplo de resistência cultural, onde continuam vivas tradições ligadas à tauromaquia e às festas populares.

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