Quatro séculos de feira e a tradição continua a vencer em Tomar
Feira de Santa Iria continua a atrair comerciantes de vários pontos do país, numa edição que assinala quatro séculos de história. Entre os doces típicos de Viseu e uma banca de livros que se estreia no certame, a tradição convive com novas apostas comerciais e culturais.
A Feira de Santa Iria, em Tomar, celebra 400 anos de história sem perder a capacidade de atrair comerciantes e visitantes. Entre os vendedores que regressam todos os anos e os que arriscam pela primeira vez, o certame continua a afirmar-se como um ponto de encontro de gerações, onde os sabores tradicionais convivem com novas propostas. José Ferreira chega de Viseu com quase quatro décadas de experiência na doçaria tradicional. Há 38 anos que percorre feiras e a passagem por Tomar já faz parte do calendário. Reconhece que os dias de semana são mais calmos, mas garante que aos fins-de-semana não falta movimento. Na banca destacam-se os Pastéis de Viseu e as Rotundinhas de Viseu, criadas em 1989, com massa fina e recheio de doce de ovos. “Quem experimenta, volta sempre”, assegura.
O comerciante é um defensor das receitas antigas e rejeita os ingredientes artificiais. “Só trabalhamos com ovo, açúcar, leite, água e farinha. Não trabalhamos com misturas nem com nada artificial”, sublinha. Para José Ferreira, participar na Feira de Santa Iria é também uma forma de preservar sabores que atravessam gerações e conquistar novos clientes.
Livros estreiam-se entre doces e produtos tradicionais
Se José Ferreira é um veterano das feiras, Sandra Bernardo decidiu arriscar numa estreia. A comerciante levou os livros para um certame onde habitualmente predominam a gastronomia, o artesanato e os divertimentos. A aposta, garante, está a superar as expectativas. “Arriscámos e percebemos que passam muitas pessoas por aqui. Tem tido bastante movimento”, conta. Habituada a trabalhar na distribuição de livros para livreiros, escolas e bibliotecas, Sandra encontrou em Tomar uma oportunidade de chegar a leitores fora dos circuitos habituais. A banca, que apresenta obras de vários géneros, com destaque para a história, tem despertado a curiosidade dos visitantes. “Somos as únicas pessoas que estamos aqui com livros. Conseguimos chegar a outro público, que se calhar veio à procura de outras actividades e acaba por encontrar também esta vertente cultural”, refere. A receptividade deixa a porta aberta a um regresso na próxima edição. Quatro séculos depois, a Feira de Santa Iria mostra que a sua continuidade também passa pela capacidade de se renovar. Entre receitas antigas e páginas de livros, mantém-se viva uma tradição que continua a fazer parte da identidade de Tomar.


