Fábrica de Alhandra entra para o Guinness como a cimenteira mais antiga do mundo
Com raízes em 1890, a unidade da Cimpor em Alhandra soma 132 anos de história, emprega mais de 150 trabalhadores e tem capacidade para produzir 2,8 milhões de toneladas de cimento por ano. A fábrica está também a receber um investimento de quase 200 milhões de euros para descarbonizar a produção.
Mais de 130 anos depois de ter iniciado a sua actividade industrial, a fábrica da Cimpor em Alhandra, no concelho de Vila Franca de Xira, foi distinguida pelo Guinness World Records como a fábrica de cimento mais antiga do mundo ainda em funcionamento. A distinção foi formalmente entregue durante uma cerimónia realizada no Museu do Centro de Produção de Alhandra no dia 22 de Outubro, que contou com a presença de representantes da empresa, do município de Vila Franca de Xira e do Governo.
A construção da unidade começou em 1890, tendo a actividade industrial arrancado por volta de 1894. Desde então, a fábrica manteve-se em funcionamento ao longo de mais de um século, enfrentando momentos marcantes da história nacional, desde a queda da monarquia à instauração da República, passando pelo Estado Novo e a revolução de 25 de Abril de 1974.
Actualmente a fábrica emprega mais de 150 trabalhadores e tem capacidade para produzir 2,8 milhões de toneladas de cimento por ano, continuando a ser o motor de crescimento da vila de Alhandra, destacou o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira. “Esta distinção reconhece a capacidade de resistência da empresa e o contributo das diferentes gerações de trabalhadores que por aqui passaram”, elogiou o autarca, dando também nota da importância do investimento de 200 milhões de euros em curso para descarbonizar a fábrica. “Portugal e Vila Franca de Xira precisam de indústrias com futuro, com modernidade, com inovação e não tenho dúvidas que a Cimpor, assinalando estes 132 anos, é para aí que está a caminhar”, afirmou.
Fernando Paulo Ferreira sublinhou ainda a ligação da Cimpor à comunidade local e revelou que a autarquia e a empresa têm mantido contactos relacionados com o projecto de requalificação do histórico Teatro Salvador Marques.
Para Cevat Mert, presidente executivo da Cimpor Portugal e Cabo Verde, a entrada no Guinness World Records representa um reconhecimento que ultrapassa a longevidade da fábrica. Segundo o responsável, o recorde mundial “celebra muito mais do que a longevidade de uma fábrica”, reflectindo também a capacidade da empresa para inovar e acompanhar as mudanças ao longo de várias gerações. O gestor destacou que todo o sucesso da Cimpor em Alhandra deve-se a todos os trabalhadores, que com orgulho do passado foram construindo o futuro.
Já o presidente do conselho de administração da empresa, Suat Çalbiyik, disse querer uma empresa que continue a contribuir para o desenvolvimento de um sector mais eficiente e sustentável, que possa contribuir para uma comunidade mais unida e próspera e anunciou a entrada da empresa nos esforços ao apoio à reconstrução da Ucrânia.
O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, assinalou a importância da distinção considerando que o reconhecimento internacional constitui um motivo de orgulho para o país.
História cimentada na comunidade
A primeira fábrica de cimento a ser construída de raiz em Portugal foi a Fábrica Tejo, em Alhandra, que mais tarde viria a designar-se por Cimpor Alhandra. A unidade recebeu um alvará de produção a 24 de Abril de 1894 e a concessão da patente para o fabrico do cimento “Portland” artificial, na altura a produzir 6 mil toneladas de cimento por ano num forno horizontal Hoffmann. A 26 de Março de 1976, com a nacionalização de sete cimenteiras portuguesas, foi constituída formalmente a empresa pública Cimpor - Cimentos de Portugal, contando desde o início com as três fábricas de cimento - Alhandra, Loulé e Souselas, bem como a Fábrica de Cal Hidráulica do Cabo Mondego e as Unidades de Produção da Maceira-Liz e Pataias.
A fábrica de Alhandra esteve intimamente ligada ao crescimento da vila nos últimos cem anos. Há cerca de uma década um conjunto de problemas ambientais na fábrica geraram um conjunto de queixas da comunidade e dos autarcas, levando à criação de uma comissão de acompanhamento ambiental da fábrica, para monitorizar a qualidade ambiental da produção, com os recentes investimentos feitos pela empresa na fábrica a permitirem acabar com muitos dos antigos focos de poluição.


