Especiais | 01-09-2023 21:00

“Não convidar a ministra da Agricultura para uma feira agrícola é como dar um tiro num pé”

“Não convidar a ministra da Agricultura para uma feira agrícola é como dar um tiro num pé”
ESPECIAL AGROGLOBAL
António Gil é o administrador da Secagro - Secagem e Comercialização de Produtos Agrícolas - com sede em Vale de Figueira, concelho de Santarém

António Gil é administrador da Secagro - Secagem e Comercialização de Produtos Agrícolas - com sede em Vale de Figueira

O administrador da Secagro gostava de ir à Agroglobal mas como leu que o acesso é feito mediante convite diz que vai ficar à espera para ver se alguém o convida.
António Gil não sabe se a ministra da Agricultura, que não foi convidada a visitar a Feira Nacional de Agricultura em Junho, será convidada desta vez pelo CNEMA/CAP, mas espera que o episódio não se volte a repetir.
“Acho que o que aconteceu foi mais um tiro no pé. Podemos não gostar da ministra pelos mais variados motivos, no entanto ela é a ministra da Agricultura do Governo legitimamente eleito em Portugal. A Feira Nacional de Agricultura é o maior certame agrícola do país e por isso, por uma questão de educação e respeito, deveria ter sido convidada”, afirma.
Sobre a mudança da Agroglobal de Valada do Ribatejo para o CNEMA, em Santarém, prefere esperar que a organização mostre o que vale e que dê provas de que está à altura das responsabilidades assumidas antes de dar uma opinião definitiva.
“Não duvido que as condições para a realização de eventos de qualquer espécie são francamente melhores no CNEMA. No entanto, temo que, apesar disso, a organização não consiga dar continuidade àquele carisma, àquela convivência, que se notava e sentia em Valada levando assim a que a identidade da própria feira se vá desvanecendo tal como sucedeu com a da FNA com a mudança do planalto para o CNEMA. Quem for da minha idade sabe do que falo.”
A Secagro está directamente ligada ao agronegócio, com predominância para a fileira do milho, tanto como produtora como comercializadora, tendo também instalações para secagem e armazenagem de cereais. Quando interrogado sobre os maiores desafios que o sector enfrenta António Gil fala da escassez de recursos hídricos e das cada vez maiores limitações ao uso de determinadas substâncias activas na União Europeia.
“As alterações climáticas vão conduzir a uma cada vez maior escassez de recursos hídricos e há uma falta de planeamento a esse nível. Vivemos junto ao rio Tejo, que é só o maior rio do país e limitamo-nos a ver passar a água para o mar sem que nada seja feito por parte de quem tem poderes de decisão. Além disso são cada vez maiores as restrições ao uso de substâncias activas e verifica-se um custo galopante dos factores de produção e da tecnologia. Estes são os maiores desafios para os agricultores num futuro próximo mas, como sempre, iremos ultrapassá-los”.

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