Especiais | 16-11-2023 17:00

Existem algoritmos que já conhecem melhor os nossos gostos do que nós próprios

Existem algoritmos que já conhecem melhor os nossos gostos do que nós próprios
36 ANOS DE O MIRANTE
Miguel Carrinho, 45 anos, director-geral da Águas do Ribatejo, E.I.M., S.A.

Da nossa Constituição destacaria o dever de cumprir as leis e o de respeitar os direitos dos demais cidadãos. Considero este último bastante importante. Muitas vezes esquecemo-nos que a nossa liberdade e os nossos direitos terminam onde começam os dos outros.

As alterações climáticas são uma realidade e reflectem-se em diversas áreas sendo a disponibilidade de água uma delas. A esmagadora maioria dos estudos e projecções apontam para que os níveis de precipitação se vão reduzindo no futuro enquanto a ocorrência de fenómenos extremos tenderá a aumentar. Significa isto que teremos mais períodos de seca, e mais prolongados no tempo, e simultaneamente fenómenos de grande concentração de precipitação em curtos espaços de tempo.

Temos que alterar os nossos comportamentos no que à utilização da água diz respeito. Devemos começar a adaptar os nossos espaços verdes, quer públicos, quer privados, a um clima mais seco, privilegiando espécies vegetais autóctones que necessitem de menos quantidade de água. Poderemos, também, nos nossos usos quotidianos, ter uma utilização mais racional da água, fechando a torneira enquanto lavamos os dentes ou enquanto nos ensaboamos durante o banho.

Na imprensa, como noutras áreas de actividade, deve existir liberdade mas acompanhada de responsabilidade. A existência de regulação da actividade dos órgãos de comunicação social poderá ser positiva, contribuindo para a credibilidade, desde que isso não se traduza numa restrição à liberdade.

O que nos chega através das redes sociais nem sempre é informação. Aliás, poder-se-á até dizer que grande parte daquilo que circula nas redes sociais é “desinformação”. No meu caso, opto sempre por procurar informação nos meios de comunicação, quer sejam jornais, televisões ou rádios, porque considero que estes meios de comunicação procedem a uma avaliação e escrutínio da informação, antes da sua publicação garantindo, dessa forma, a sua qualidade e veracidade.

Por um lado o acesso à informação deveria ser gratuito. Por outro lado, se assim fosse, os autores dessa informação, os meios de comunicação, não teriam receitas e, dessa forma, poderia ser colocada em causa a sua independência.

A existência de jornais e outros meios de comunicação é essencial para assegurar a qualidade e pluralidade da informação. Por esse motivo o desaparecimento de alguns jornais ou outros órgãos de comunicação poderá traduzir-se num menor acesso à informação por parte dos cidadãos o que é, naturalmente, algo muito negativo.

O MIRANTE é uma publicação de referência com um nível qualitativo muito interessante. Costumo apreciar bastante muitos dos textos que são publicados diariamente na edição online e na edição semanal.

Não sei como seria a minha vida num país sem democracia. Isto porque já nasci após o 25 de Abril e, nessa medida, vivi toda a minha vida em liberdade, num regime democrático. Acredito que, para alguém como eu, que gosta de pensar pela sua cabeça e de poder exprimir livremente as suas opiniões, seria certamente muito difícil.

O 25 de Abril de 1974 foi um dos momentos mais marcantes, se não mesmo o mais marcante, na história recente do nosso país. Foi uma revolução libertando Portugal de um regime não democrático, abrindo novas fronteiras e possibilidades para um país que, durante várias décadas, esteve muito fechado sobre si próprio com implicações muito negativas no desenvolvimento e na qualidade de vida dos portugueses. Foi uma ruptura com o passado devolvendo a liberdade aos cidadãos. Liberdade de expressão, liberdade de escolha, enfim, liberdade. E esta será, para mim, a conquista mais importante desta revolução: a liberdade!

No nosso dia-a-dia a Inteligência Artificial está lá. Não é uma opção, é uma realidade. Quando utilizamos o nosso smartphone fazemos pesquisas na internet ou procuramos notícias, já nada nos surge por acaso. Existem algoritmos extremamente poderosos que, como costumo dizer na brincadeira, já quase conhecem melhor os nossos gostos do que nós próprios!

A Inteligência Artificial, como várias outras tecnologias ao longo da história, representa simultaneamente uma oportunidade e um desafio. Uma oportunidade porque permitirá avanços muito significativos nas mais variadas áreas e, se bem utilizada, poderá trazer impactos muito positivos. Mas é também um enorme desafio pois se o seu desenvolvimento não for acompanhado por padrões de ética e responsabilidade elevados poderá vir a trazer-nos grandes problemas.

Poderemos ter sistemas de Inteligência Artificial a substituir algumas profissões de menor valor acrescentado. Isso “libertará” pessoas para outras áreas mais criativas e/ou qualificadas. Mas estas alterações estruturais têm de ser devidamente pensadas e acompanhadas sob pena de virmos a ter fracturas sociais ainda mais significativas, com uma percentagem significativa da população a ser afastada de uma vida “activa”. Será, certamente, uma das áreas mais importantes para o nosso futuro colectivo.

Da nossa Constituição destacaria o dever de cumprir as leis e o de respeitar os direitos dos demais cidadãos. Considero, aliás, este último bastante importante. Muitas vezes esquecemo-nos que a nossa liberdade e os nossos direitos terminam onde começam os dos outros. Quanto à nossa classe política ela é o reflexo da nossa sociedade. Com isto quero dizer que, como noutras áreas da nossa vida colectiva, há boas pessoas e outras menos boas.

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