Especiais | 14-06-2024 09:00

Um caçador e bom garfo que foi preso por impropérios no tempo em que jogava à bola

Um caçador e bom garfo que foi preso por impropérios no tempo em que jogava à bola
GUIA AUTARCAS E AUTARQUIAS
Silvino Lúcio cumpre o seu primeiro mandato como presidente da Cãmara de Azambuja e garante ter condições para continuar a liderar o concelho

Presidente da Câmara de Azambuja – Silvino Lúcio (PS)

Com 35 anos de dedicação à causa pública, há pouca coisa que tire o sono a Silvino Lúcio, 65 anos, eleito presidente da Câmara de Azambuja, pela primeira vez, em 2021. O socialista sente-se com força para se lançar a um segundo mandato, mas depois disso quer aproveitar a vida e reformar-se para se dedicar aos seus dois grandes prazeres: a caça, um desporto que lhe foi incutido pelo avô materno que lhe ofereceu a primeira espingarda, e o convívio à mesa com os amigos. Homem simples, de trato fácil, não gosta de tratar as pessoas de forma diferente só porque nasceram no campo ou em berço de ouro. Não é de protagonismos e preza os valores da sinceridade, honestidade e solidariedade e diz que sem eles o mundo não tem futuro.
Nascido em Lisboa, na zona da Ajuda, passou a infância entre Aveiras de Baixo e Lisboa. Quando os pais foram para a capital em busca de uma vida melhor instalaram-se no quarto de um prédio de onde tinha vista privilegiada para os jogos do Belenenses. Teve uma infância de boas memórias e algumas que o marcaram. Como a vez em que acabou preso com um grupo de amigos por jogar à bola na rua. A vizinha, dona Aurora, ouvia-nos a gritar alguns impropérios durante os jogos e um dia chamou a GNR. Como se as horas passadas no posto não tivessem sido suficientes, Silvino Lúcio ainda levou uns tabefes do pai para não se esquecer da lição.
Tinha 15 anos e estava a estudar na Escola Industrial e Comercial
de Vila Franca de Xira quando
se deu o 25 de Abril. Confessa-se
um reaccionário, que logo após a revolução começou a lutar por movimentos à esquerda contra a juventude comunista. Com 28 anos foi convidado para ser candidato à Junta de Aveiras de Baixo e ganhou. Em 2009 entrou pela primeira vez como vereador, no último mandato do já falecido Joaquim Ramos. Gosta de ser um negociador e foi o impulsionador do acordo que existe com a CDU na gestão da câmara. “Foi a primeira vez que entrei na sede da CDU”, confessa. Para Silvino Lúcio a política faz sentido quando se encontram consensos e se trabalha para o bem comum. No fim do dia, o que conta é ajudar quem precisa e dar melhores condições de vida à comunidade.
Não o incomoda que o critiquem. O que o irrita é que as pessoas não sejam honestas nem sinceras nas críticas e apenas tentem atingir algum protagonismo sem olhar a meios para atingir os fins. Votar é um dever cívico e se ele mandasse seria obrigatório. Considera o voto livre uma das várias conquistas de Abril que não deve ser desperdiçada e por isso abomina que criticam o trabalho dos políticos sem que tenham sequer votado. Reconhece que há maus exemplos na política, mas também há muita gente que se dedica todos os dias a melhorar a qualidade de vida das suas populações.
O garfo é o utensílio de casa que mais gosta de usar. Não é grande cozinheiro mas adora comer, sobretudo sardinhas que na época delas as come pelo menos três vezes por semana. De resto os seus pratos favoritos são os de caça. Amante da trilogia O Senhor dos Anéis, a última vez que foi ao cinema foi a Santarém, mas já não se lembra do filme. Melhor memória tem sobre o estado da Saúde no concelho, considerando-o um filme de terror, com 80% da população, incluindo ele e a mulher, sem médico de família, o que o obrigou a fazer um seguro de saúde. Construir um novo centro de saúde em Aveiras de Cima, criar condições para fixar médicos e melhorar as condições de habitabilidade são alguns dos sonhos que espera concretizar enquanto autarca. Acredita que Aveiras de Cima será das freguesias que mais irá crescer.
Um dia bom é em silêncio e sem o telefone a tocar. “Sou a entidade máxima em termos de Protecção Civil e por isso tenho de ter sempre o telefone ligado. O concelho é atravessado por conjunto de infra-estruturas muito importantes para o país e isso dá-nos muita responsabilidade: a Linha do Norte, as condutas da EPAL, a A1 e a CLC por causa dos combustíveis. Fora a parte logística que abastece a grande Lisboa”, refere.
Silvino Lúcio vai diariamente de carro para o trabalho, mas sempre que pode vai caminhar. Gosta de andar no terreno porque é a ver as situações que consegue tomar as melhores decisões. Avisa que não é presidente para fazer favores e como já foi mal atendido nas Finanças já escreveu no livro de reclamações. Bebe três a quatro cafés por dia e gostava de ter uma varinha mágica para resolver os problemas do dia-a-dia e dos mais desfavorecidos. Silvino Lúcio tem um irmão e dois filhos, e é um autarca que, com voz embargada, diz que gostava de ser recordado simplesmente como o Silvino Lúcio de Aveiras de Baixo. “Apenas isso. Um tipo porreiro. Mais nada”, conclui.

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