Especiais | 16-06-2024 17:00

Um autarca interessado pelo passado sem feitos que fiquem para a história

Um autarca interessado pelo passado sem feitos que fiquem para a história
GUIA AUTARCAS E AUTARQUIAS
Fernando Freire, antigo militar e advogado, é presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha há três mandatos

Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha – Fernando Freire (PS)

O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, o socialista Fernando Freire, assume-se como investigador da História local, mas o seu desempenho de uma década como autarca não tem grandes feitos, daqueles que ficam para a História das respectivas comunidades. O edil publica artigos com alguma regularidade em órgãos de comunicação social e, até há não muitos anos, o município teve a insólita particularidade de ser proprietário de um título, o Novo Almourol, a que teve de renunciar porque os órgãos autárquicos não podem legalmente ter órgãos de comunicação social. Actualmente, o jornal é dirigido pelo Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo e continua a ser um activo divulgador das actividades municipais.
Num concelho onde está situado um dos maiores complexos militares do país, o chamado polígono de Tancos, a câmara municipal é liderada há três mandatos por um antigo militar da Força Aérea Portuguesa, que aí fez carreira até aos 44 anos, quando passou à reserva. Um privilégio que não é para todos e que Fernando Freire já assumiu revestir-se de alguma injustiça em relação a muitas outras carreiras profissionais, mas que justificou referindo que não foi ele nem outros antigos camaradas seus que fizeram a lei.
Fernando Manuel dos Santos Freire foi militar entre 1981 e 2004, dedicando-se depois à advocacia, pois completou a licenciatura em Direito, pela Faculdade de Direito de Lisboa, quando ainda estava na carreira castrense. Tem também no currículo uma pós-graduação em Estudos Europeus. Em 2009 teve o primeiro contacto com a actividade autárquica quando foi eleito vereador da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e assumiu o pelouro da Cultura num executivo liderado pelo socialista Miguel Pombeiro, a quem sucedeu em 2013. Tal como os seus antecessores tem sido sempre eleito com maiorias confortáveis num concelho pequeno em área e população, onde o PS domina há muito. Os socialistas têm quatro lugares no executivo e o PSD um.
Vila Nova da Barquinha tem uma localização privilegiada. O concelho é servido por caminho-de-ferro, atravessado pelas auto-estradas 13 e 23 e a sede de concelho está a um quarto de hora do nó da A1 em Torres Novas. No entanto, o concelho não tem conseguido dar o salto no capítulo do desenvolvimento económico que seria expectável, embora a zona industrial em Atalaia tenha vindo a crescer. Mas a Base Aérea de Tancos continua por aproveitar e grandes projectos, como o de um faraónico parque temático anunciado no início deste século, nunca chegou a sair do papel. E, mais recentemente, o de um bioparque a construir em terrenos municipais que incorporava um hotel de quatro estrelas e 70 milhões de investimento, apresentado em 2019, como o primeiro bioparque que iria ser construído em Portugal por um investidor privado, também saiu do radar. Os terrenos devem ser destinados à ampliação do centro de negócios do concelho.
Com uma carreira discreta como autarca, no mandato passado viu-se envolvido numa controvérsia com a divulgação por O MIRANTE de procedimentos duvidosos da autarquia num concurso para a contratação de um engenheiro civil pela autarquia de que o chefe de gabinete de Fernando Freire viria a ser o vencedor. Perante as considerações de um parecer jurídico, pedido para aclarar a situação, o processo acabou por ser anulado.
O concelho de Vila Nova da Barquinha tem uma extensa frente ribeirinha, abrangendo os rios Tejo e Zêzere. Conta no seu território com um monumento icónico, como é o caso do Castelo de Almourol, e um aprazível parque ribeirinho que é também uma galeria de arte escultórica a céu aberto, mas a dinâmica turística do concelho também parece aquém da riqueza patrimonial e das potencialidades naturais, nomeadamente dos rios.
Fernando Freire nasceu em Oleiros, no distrito de Castelo Branco, em 1 de Fevereiro de 1960, no seio de uma família humilde. Depois de concluir a instrução primária, estudou até ao antigo quinto ano no Seminário de Beja, de onde saiu em 1974. Até 1981 trabalhou na sua vila natal como empregado comercial, até se alistar na Força Aérea. Foi por essa via que aterrou no concelho de Vila Nova da Barquinha. Em Abril de 2023, o anterior ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, atribuiu a Fernando Freire a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, no grau ouro e distintivo laranja, pelo papel que a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha desempenhou na instalação do Comando Sub-Regional do Médio Tejo.

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