Especiais | 16-06-2024 14:00

Uma vida de causas sociais sem amarras partidárias e com poesia no coração

Uma vida de causas sociais sem amarras partidárias e com poesia no coração
GUIA AUTARCAS E AUTARQUIAS
Pedro Ferreira, o presidente da Câmara de Torres Novas, foi chefe de escuteiros e ajudou a fundar uma grande instituição de cariz social no concelho

Presidente da Câmara Municipal de Torres Novas – Pedro Ferreira (PS)

O socialista Pedro Ferreira está a cumprir o terceiro e último mandato ao leme da Câmara Municipal de Torres Novas. Apesar de significar um fechar de portas a novos cargos políticos, porque a sua ambição é poder dedicar-se mais à família, garante que não vai deixar a missão pela metade: o mandato é para cumprir até ao fim e na próxima campanha eleitoral vai apoiar quem o partido entender e aquele que merecer a sua confiança. Autarca discreto e de trato fácil iniciou o seu percurso na política há mais de três décadas, quando tinha 40 anos e como número dois da lista do PS à câmara que pôs fim a 16 anos de liderança social-democrata.
O presidente das causas sociais, gosta de procurar o consenso com as outras forças políticas, mas admite que nem sempre é fácil, sobretudo quando do lado de lá se prioriza o jogo político em vez dos interesses das pessoas e do concelho. “Já ouvi vereadores da oposição dizerem que concordam, mas que o partido quer de outra forma. Eu sou quem sou. Não entro em guerras partidárias e não tenho dificuldade em acolher ideias vindas de outras cores políticas”, diz. Várias vezes apelidado - até pelos seus opositores - de boa pessoa, mantém o discurso calmo e ponderado mesmo quando provocado por discursos mais azedos e provocatórios. Talvez seja por isso que diz que não ganhou inimigos com a política e afirme que não guarda rancores e que estará sempre disponível para um diálogo “aberto e de amizade”.
Satisfeito com a equipa de funcionários e vereadores que o acompanha, sente orgulho de, em três mandatos, ter duplicado o número de obras feitas em cada um, assim como do aproveitamento que tem sido feito de fundos comunitários. Como grandes obras e medidas destaca a criação dos Transportes Urbanos Torrejanos e a sua recente gratuitidade, a construção do Palácio dos Desportos, a recuperação do Convento do Carmo e a aposta contínua na melhoria das acessibilidades. Homem de poucas horas de sono, confessa que não gosta de almoçar sozinho e admite que perdeu a conta às vezes que lhe pediram uma cunha para um emprego ou para autorizar construções onde não são permitidas. De consciência tranquila, conta que desses pedidos já saíram histórias caricatas como a pessoa ter ficado em primeiro no concurso público, por mérito próprio, e de ir agradecer-lhe sem saber que o autarca não fez nada.
Membro da direcção da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, tem um vasto percurso ligado ao associativismo. Foi co-fundador e sócio número dois do Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (CRIT), que abriu em 1977 para dar apoio a pessoas com deficiência e do qual foi, durante mais de três décadas, presidente da direcção. Foi ainda chefe do Agrupamento 65 do Corpo Nacional de Escutas, num tempo que lhe traz boas lembranças. Actualmente preside o conselho fiscal da Associação dos Dadores de Sangue de Torres Novas e integra o conselho fiscal da Fundação Maria Isabel e Renato Gameiro.
É casado, tem três filhos, três netos e um quarto a caminho. Pilares da sua vida que espera ainda vir a compensar pelas ausências. Nascido em Torres Novas a 2 de Janeiro de 1952, herdou do pai, conhecido como o Manuel da Farmácia, mas também da mãe, funcionária dos Correios que devido a um problema cerebral cedo se viu acamada, a paciência, a facilidade em travar amizade e a disponibilidade para escutar. É por esta última característica que diz que embora não seja padre sabe “muitas histórias de vida de pessoas do concelho”, o que o deixa “orgulhoso”. Também o enche de vaidade, livre de pretensiosismos, sempre que uma criança o reconhece como ‘o presidente’ e lhe pede um cumprimento ou uma fotografia quando vai na rua ou visita uma escola.
Pedro Ferreira foi aluno aplicado que terminou o curso de Comércio na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas com excelentes notas. Gostava de ter prosseguido estudos, mas por falta de condições financeiras cedo se viu obrigado a trabalhar. Sem experiência, conseguiu trabalho na Luz & Irmão, de onde saiu como chefe de escritório. Durante esse período tirou o curso de Técnico de Contabilidade e de Inglês, e mais tarde foi para uma seguradora, na qual trabalhava quando, em 1993, quando se estreou nas lides autárquicas.
Pedro Ferreira tem apetência para o desenho e para a escrita. Aos 13 anos foi galardoado num concurso de poesia, prémio que foi receber aos Sapadores de Lisboa. Desde então não mais deixou de escrever, mas nunca teve “coragem para publicar”. Com um livro “praticamente concluído”, direccionado para o público jovem e que mistura realidade com ficção nas grutas do Almonda, diz que não lhe vai faltar, aos 72 anos, essa coragem e o vai publicar assim que deixar de estar presidente. Um cargo que ocupa com orgulho e sempre com vontade de fazer mais pelo concelho. Se fica algo por fazer? “Claro que sim”. É por isso que apela, a quem vier a seguir, que dê seguimento ao projecto para a ex-fábrica de Fiação e Tecidos, que conclua a Zona Industrial da Zibreira e consiga eliminar de vez os bairros sociais, “carimbados como socialmente indesejáveis” através da implementação de mais habitação a custos controlados.

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