Especiais | 04-07-2024 13:00

“A nossa determinação e resiliência são a base para um futuro promissor”

“A nossa determinação e resiliência são a base para um futuro promissor”
ESPECIAL ENSINO
Isilda Maria do Nascimento Pereira*

Ser Directora do Agrupamento de Escolas Gil Paes tem sido uma experiência marcada tanto por desafios quanto por oportunidades.

Ser Directora do Agrupamento de Escolas Gil Paes tem sido uma experiência marcada tanto por desafios quanto por oportunidades. O aumento das situações de incapacidade física para o trabalho, consequência do envelhecimento dos profissionais de educação; a dificuldade em substituir os profissionais ausentes por doença, por insuficiência de docentes para contratar; a entrada de docentes em fase de indução na carreira, a quem é necessário acompanhar, têm criado inúmeros desafios. Este obstáculo é colmatado com o compromisso inabalável dos profissionais do AEGP com a educação e o bem-estar dos nossos alunos.
Para colocarmos em acção o Projecto Educativo e, em simultâneo, responder às exigências da Tutela e do Município, exige a capacidade de nos reinventarmos em cada dia. É difícil ter tempo para parar e pensar. Responder aos problemas do dia-a-dia de uma escola, onde o lema é promover a inclusão de todos e o prazer de aprender, implica disponibilidade. Ser pró-activo, antecipar e prevenir exige um bem cada vez mais escasso: “tempo”. Embora as promessas de desburocratização se sucedam, vamos sentido uma crescente pressão para a execução de tarefas correntes, com cumprimento de prazos que o digital ainda não conseguiu aliviar.
O trabalho colaborativo entre Directores dos agrupamentos da rede de influência do Centro de Formação A23 tem mitigado a pressão, que nos é colocada diariamente.
O processo de descentralização de competências para os municípios promete uma gestão mais próxima e, idealmente, mais eficiente dos recursos educativos. No entanto, como em qualquer mudança, é essencial considerar as implicações práticas e as dinâmicas de adaptação necessárias. No nosso agrupamento, essa proximidade já demonstrou potencial em vários aspectos, mas a gestão das infra-estruturas escolares ainda carece de respostas para muitos dos problemas com que nos confrontamos.
Temos a prioridade da requalificação da Escola Secundária Maria Lamas, que apenas teve um reduzido investimento muito aquém das necessidades efectivas. A gestão dos Assistentes Operacionais é outro desafio diário. São insuficientes os rácios para Assistentes Operacionais, face à oferta extracurricular, e há baixas médicas sem substituição durante todo o ano lectivo. Contudo, acredito que, com um esforço conjunto e uma visão partilhada, poderemos assegurar que as mudanças da transferência de competências resultem em benefícios tangíveis para a comunidade escolar.
Outro aspecto que precisamos todos de melhorar é a incompreensão dos pais, que esperam da Escola a resposta para o que está na nossa esfera de acção e muito para além dela. Sentimos a necessidade permanente de ter um plano de comunicação com as famílias muito delicado e assertivo. Após a pandemia, os pais passaram a privilegiar canais de comunicação não habituais e, por vezes, alguns abordam os professores de forma nem sempre amistosa e cooperante. Há necessidade de regulação da comunicação das famílias com a escola. A desvalorização do trabalho do professor, ao longo das últimas décadas, reflecte-se na comunicação de muitas famílias com a escola. É um trabalho de promoção e valorização do trabalho dos professores que terá de ser assumido por toda a sociedade. Devo uma palavra de apreço e consideração por todos os pais que colaboram com os profissionais de educação e deixam o seu contributo na vida da escola, como foi notório no final deste ano, a título de exemplo, nas festas de encerramento das actividades lectivas. Os pais têm de estar ao lado dos professores; somos os seus parceiros de eleição para a construção cívica e formativa das crianças e jovens com quem trabalhamos, dos seus filhos.
Apesar dos desafios que enfrentamos diariamente, a nossa determinação e resiliência são a base para um futuro promissor. A colaboração entre os elementos da comunidade educativa e o compromisso dos nossos docentes reforçam a nossa capacidade de superar obstáculos. Encaramos o futuro com optimismo, sabendo que, através do esforço conjunto e da visão partilhada, continuaremos a promover o prazer de aprender e a formação cívica das nossas crianças e jovens. É com este espírito de união e colaboração que transformaremos cada desafio numa nova oportunidade de sucesso para o nosso Agrupamento.
* Agrupamento de Escolas Gil Paes (Torres Novas).

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