Especiais | 26-04-2026 11:00

Testes genéticos e a probabilidade de doença cardíaca

Testes genéticos e a probabilidade de doença cardíaca
ESPECIAL REVISTA SAÚDE E BEM-ESTAR
Vítor Paulo Baltasar Martins, cardiologista e arritmologista, director do Serviço de Cardiologia da ULS Lezíria, presidente da Associação Cardiológica do Ribatejo, presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia

Uma das vantagens é a possibilidade de prevenção personalizada. Saber que existe um risco aumentado pode motivar mudanças precoces no estilo de vida.

As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte em todo o mundo. Nos últimos anos, os testes genéticos têm despertado grande interesse por prometerem ajudar a prever o risco individual de desenvolver problemas cardíacos. Mas até que ponto estes testes são úteis e o que realmente significam os seus resultados?
Os testes genéticos analisam pequenas variações no ADN que podem estar associadas a um maior risco de determinadas doenças. No caso das doenças cardíacas estudam-se genes relacionados com o colesterol, a pressão arterial, a inflamação e o funcionamento do músculo cardíaco. A presença dessas variantes não significa que a pessoa vá necessariamente desenvolver uma doença, mas indica uma probabilidade aumentada.
É importante compreender que a genética é apenas uma parte da equação. Fatores como alimentação, actividade física, tabagismo, stress e qualidade do sono têm um impacto decisivo na saúde do coração. Mesmo pessoas com predisposição genética podem reduzir significativamente o seu risco adoptando estilos de vida saudáveis. Da mesma forma, alguém sem alterações genéticas relevantes pode desenvolver doença cardíaca se tiver hábitos pouco saudáveis.
Uma das principais vantagens dos testes genéticos é a possibilidade de prevenção personalizada. Saber que existe um risco aumentado pode motivar mudanças precoces no estilo de vida e um acompanhamento médico mais atento, incluindo análises regulares e, em alguns casos, tratamento preventivo. No entanto, os resultados devem sempre ser interpretados por profissionais de saúde, para evitar ansiedade desnecessária ou conclusões erradas.
Há também limitações. A maioria dos testes avalia apenas os genes actualmente conhecidos, e a ciência continua a evoluir. Além disso, os resultados não funcionam como uma previsão exacta do futuro, mas como uma ferramenta complementar.
Em resumo, os testes genéticos podem ser um aliado importante na prevenção das doenças cardíacas, desde que sejam usados com bom senso, informação adequada e integrados numa abordagem global de saúde. Permitem também tomar atitudes como colocação de cardioversores desfibrilhadores (CDI) em pacientes que, poderão estar na eminência de um evento arrítmico fatal. O coração beneficia tanto do que está escrito nos genes como das escolhas que fazemos todos os dias.

*Vítor Paulo Martins - médico cardiologista e aritmologista - Clínica do Coração Santarém

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