Feira da Agricultura é ponto de encontro de técnicos e de pessoas ligadas ao sector
Carlos Tereso, proprietário da Flora Garden, aprecia o contacto humano em vez de tratar dos assuntos à distância.
A Feira Nacional da Agricultura volta a ser um certame interessante para os expositores, depois de alguns anos em que a vertente de diversão e meramente comercial, ganhou espaço à parte técnica e de inovação.
A opinião é de Carlos Tereso, proprietário da Flora Garden - Projectos de Silvicultura e Jardinagem, com sede em Lapa, concelho do Cartaxo, empresa especializada na construção, instalação, manutenção e gestão de espaços verdes.
“Já se torna mais fácil os expositores voltarem a estar lá presentes. Eu próprio já começo a pensar se não voltarei a ter um ‘stand’ na feira. Acho que temos visto mudanças na feira da agricultura nos últimos anos, que vão num bom caminho. E acho que é isso que deve continuar a ser feito”, refere.
Para o empresário, a Feira da Agricultura é um marco na agricultura portuguesa porque, durante muitos anos, era o local onde se encontravam as novidades e as novas tecnologias e um ponto de encontro de técnicos e de pessoas ligadas ao sector.
Com as alterações que têm vindo a ser feitas, a feira tem voltado a assumir essa importância e Carlos Tereso explica porque gosta de lá ir. “Planeio visitar a feira para procurar algumas coisas de que preciso. É sempre melhor e mais fácil o contacto humano do que tratar das coisas à distância.”
Quanto aos benefícios para a cidade de Santarém, por acolher a feira da agricultura no seu seio, não tem dúvidas. “Acho que Santarém começou a valorizar mais a feira e tem noção da sua importância. É um marco importante para a cidade. Uma das marcas de Santarém é a sua feira da agricultura”.
Sobre os desafios que o sector agrícola enfrenta e os apoios para a inovação tecnológica, lamenta que não abranjam todas da mesma forma.
“Temos muitas linhas de apoio à inovação, mas a maior parte delas estão viradas para as grandes indústrias, não para a pequena e média empresa. Quanto a nós, que somos grandes empregadores, não vejo apoios, linhas de apoio, medidas de apoio, mas já ficava feliz se nos deixassem trabalhar. Se não houvesse tantas exigências, impostos, taxas, já ficaríamos mais felizes”, refere.
Para ajudar a resolver o problema generalizado de falta de mão-de-obra, deixa uma sugestão: “Deveria começar-se a pensar em ter regionalmente, por municípios, um centro de recepção para a imigração, para que quem vem trabalhar possa ter condições de habitabilidade e acesso aos empresários. Conseguir captar essas pessoas é contribuir para a economia do país e da região”, refere.
Ainda sobre mão-de-obra, o empresário considera que a região tem boas escolas e bons cursos direccionados para o sector agrícola, mas diz que os jovens que terminam esses cursos são poucos para as necessidades. “Não tenho conhecimento de técnicos agrícolas que estejam desempregados, e estou sempre a pedir técnicos e não consigo”, lamenta.
Na Flora Garden mais de um terço da frota e dos equipamentos é eléctrica e já há painéis solares nas instalações. Embora ainda não existam muitos processos que permitem instalar sistemas de rega, a empresa já instalou vários que fazem a gestão da água.


