Falta aos agricultores mais interligação e informação sobre as inovações disponíveis
Victor Rosa, gerente da Benamáquina, gostava que as empresas da região fossem convidadas a participar na Feira de Agricultura a preços mais atractivos
Victor Rosa, gerente da Benamáquina, considera a Feira Nacional de Agricultura uma das melhores feiras do país, pela sua longevidade de várias décadas e por apresentar anualmente as melhores inovações do sector agrícola. Diz que é bem organizada, responde às necessidades de cada época e atrai muitas pessoas à cidade de Santarém e à região, o que é benéfico para a restauração e hotelaria.
Como aspecto negativo aponta o facto de a organização não enviar nenhum convite às empresas do distrito para estarem presentes e para apresentarem os seus produtos, a preços mais atractivos.
A Benamáquina Lda., com sede em Benavente, comercializa motores térmicos, geradores, equipamentos industriais, agrícolas e grupos geradores, estando há três décadas no mercado, o que confere ao seu gerente um conhecimento da realidade de vários sectores, nomeadamente do sector agrícola.
“Penso que faz falta ao sector uma melhor interligação entre os agricultores tanto a nível humano como financeiro. Uma estrutura que lhes possa dar alguns ensinamentos para poderem melhorar. Há muitos agricultores ainda que trabalham à moda antiga e que não pensam ou não conhecem os recursos que estão disponíveis e que lhes podem dar mais produtividade”, refere.
Diz que nada se faz a nível da inovação, seja em que área for, sem que haja da parte dos intervenientes um estudo aprofundado daquilo que fazem e dos métodos utilizados e que os agricultores devem informar-se e actualizar-se com frequência, para poderem melhorar e não desperdiçarem recursos.
“O problema é que o nosso desígnio empresarial é constituído por pequenas e micro empresas, que sendo pequenas a nível estrutural financeiro têm alguma dificuldade em ter apoios para conseguirem encontrar recursos que lhes sejam uma mais-valia. E as empresas neste momento carecem de um cash-flow alto para poderem inovar. As empresas são sobrecarregadas com impostos, com preços altos de energia, transporte, entre outras coisas”, sublinha.
Acrescenta à lista de problemas a carência de mão-de-obra, nomeadamente a especializada, que não se sente apenas na agricultura mas em todos os sectores, lembrando que, “hoje em dia, formar um técnico custa muito dinheiro às empresas que, muitas vezes, após fazerem esse esforço, o perdem para outras com capacidade para pagar mais e dar melhores condições de trabalho”.
Defende ainda uma melhor e mais racional utilização da água e mais ensino técnico. “A nossa zona do Ribatejo é uma zona forte na agricultura, toda ela. E as escolas agrárias, o ensino profissional e ensino secundário deveriam comunicar com as empresas para averiguar as suas necessidades e poderem oferecer assim uma oferta formativa mais alargada, o que poderia gerar emprego para os jovens na área da agricultura”.


