“O Ribatejo tem tudo para se afirmar, o que falta é mais estratégia e união”
Teresa Rosário, directora financeira da Ribatubos, em Santarém, diz que seria útil a Feira da Agricultura ter mais espaço para demonstrações, para o diálogo técnico e baixar os custos de participação para empresas mais pequenas.
Que importância tem a Feira Nacional de Agricultura para a sua empresa?
É um evento muito importante, porque nos permite estar em contacto directo com os nossos clientes e perceber o que o mercado precisa. Isso ajuda-nos a desenvolver melhores soluções. Para a região, é uma montra essencial que coloca o Ribatejo no mapa agrícola nacional.
A Feira, como é organizada, responde às necessidades actuais das empresas e dos profissionais do sector?
No geral sim, mas há sempre margem para melhorar. Para empresas como a nossa, que apostam em soluções para os clientes, seria útil ter mais espaço para demonstrações e para o diálogo técnico. Os custos de participação para empresas mais pequenas também ainda pesam bastante.
O que é que mais pode contribuir para a visibilidade e valorização das empresas da região de Santarém?
Trabalhar melhor a identidade regional, criar uma espécie de selo ‘Ribatejo’ associado a qualidade. Na Ribatubos tentamos contribuir para isso através das soluções que oferecemos aos nossos clientes quando as coisas funcionam bem no campo, a região ganha visibilidade. E as empresas precisam de se unir mais, sozinhas têm menos força.
Como é que caracteriza o acesso e apoio à inovação tecnológica das empresas?
É complicado, especialmente para as PME. Os apoios existem, mas a burocracia afasta muita gente. Na Ribatubos temos apostado em soluções mais modernas para os nossos clientes, mas nem sempre é fácil acompanhar o ritmo da inovação com os meios disponíveis. Era preciso simplificar o acesso aos incentivos.
A mão-de-obra, nomeadamente para o sector agrícola continua a ser um desafio. Que soluções considera mais eficazes para garantir trabalhadores qualificados e estáveis?
Tornar o trabalho mais atractivo. Melhor remuneração, melhores condições. As escolas profissionais têm um papel importante aqui. Deviam estar mais ligadas às empresas da região. Na Ribatubos estamos disponíveis para colaborar, receber estagiários, partilhar experiência. Os currículos precisam de reflectir o que o mercado local realmente precisa. E é preciso regularizar melhor a situação dos trabalhadores sazonais estrangeiros, que já são uma realidade no sector.
As alterações climáticas já têm impacto no seu negócio? Que medidas considera essenciais para mitigar esses efeitos na agricultura ribatejana?
Já sentimos essa realidade. O clima está cada vez mais imprevisível e isso afecta directamente os nossos clientes e o nosso negócio. Na Ribatubos tentamos, cada vez mais, orientar as nossas soluções para ajudar os agricultores a fazer mais com menos recursos, nomeadamente na área da água e da eficiência energética.
Como vê a gestão hídrica na região e que mudanças considera necessárias para garantir sustentabilidade?
A gestão podia ser muito melhor. Desperdiça-se muita água por falta de infraestruturas adequadas. É uma área onde a Ribatubos pode dar um contributo real. Temos soluções que ajudam a usar a água de forma mais eficiente. Mas é preciso também vontade política para modernizar os sistemas colectivos de rega.
A logística e as infraestruturas de transporte influenciam o sector. Que melhorias considera prioritárias para apoiar a agricultura regional?
As estradas de acesso às zonas rurais estão muito degradadas e encarecem a logística. Uma melhor ligação ferroviária para escoamento dos produtos seria uma grande ajuda. Faltam também infraestruturas de armazenamento e frio na região.
Que expectativas tem para a próxima década, no que diz respeito à modernização e sustentabilidade da agricultura na região?
Sou optimista, mas com os pés na terra. Há oportunidades reais com os fundos europeus e a aposta na sustentabilidade. A Ribatubos quer fazer parte dessa transformação, continuando a desenvolver soluções que ajudem os nossos clientes a crescer de forma mais eficiente e sustentável. O Ribatejo tem tudo para se afirmar, o que falta é mais estratégia e união.


