Fundamental no apoio à modernização e sustentabilidade das explorações agrícolas
A Administradora da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Pernes e Alcanhões, Margarida Camões, refere o financiamento especializado, soluções de liquidez e uma relação de proximidade.
Que importância atribui à Feira Nacional de Agricultura?
A nível Nacional, a FNA promove a inovação, investimento e debate estratégico e a nível Regional, reforça e valoriza a economia local, contribuindo na divulgação dos produtos e actividades agrícolas da nossa Região.
E para Santarém, em particular?
Atrai milhares de visitantes, expositores e profissionais, beneficiando todo o comércio local e serviços, com especial ênfase a hotéis e restauração, não se limitando às receitas geradas durante o evento uma vez que dá visibilidade às empresas da região. Para um concelho como Santarém, trata-se de um dos eventos com maior capacidade de gerar actividade económica e atrair visitantes de todo o País.
A organização actual da Feira responde às necessidades actuais?
Responde de forma satisfatória às necessidades actuais das empresas e profissionais do sector, devendo, contudo, manter um processo contínuo de actualização, continuando o seu processo de adaptação a desafios emergentes, como a transformação digital, as grandes exigências ambientais que são ou deveriam ser um desafio diário em qualquer empresa, e um dos flagelos dos nossos dias a falta de mão-de-obra qualificada e a forte internacionalização dos mercados.
O que é que mais pode contribuir para a visibilidade e valorização das empresas da região de Santarém?
Santarém depende de uma combinação de promoção territorial, inovação, digitalização, cooperação empresarial e grande aproveitamento das vantagens competitivas da região, como a sua localização estratégica, a tradição agrícola e a qualidade dos seus produtos.
Como é que a CCAM de Pernes e Alcanhões está a apoiar a modernização e a sustentabilidade das explorações agrícolas portuguesas?
A Caixa Agrícola de Pernes e Alcanhões contribui para a modernização e sustentabilidade das explorações agrícolas, através do financiamento ao investimento, do apoio à inovação, da proximidade aos agricultores e da promoção de projectos que aumentam a competitividade e a eficiência ambiental da actividade agrícola. O seu papel é particularmente relevante nesta região de forte tradição agrícola.
Quais são hoje os maiores desafios financeiros enfrentados pelos agricultores e que soluções tem a CCAM de Pernes e Alcanhões para eles?
Os maiores desafios financeiros da agricultura portuguesa passam actualmente pelo aumento dos custos de produção, pelas alterações climáticas, pela enorme pressão sobre a tesouraria e pela grande necessidade de investimento em inovação. A Caixa Agrícola de Pernes e Alcanhões procura responder a estes desafios através de financiamento especializado, soluções de liquidez, com apoio ao investimento sustentável e primando sempre numa relação de proximidade com os agricultores da região, contribuindo assim para a modernização e competitividade das explorações agrícolas.
Que importância têm os apoios ao investimento rural e os fundos europeus, e como pode a banca facilitar o acesso a esses instrumentos?
Os apoios ao investimento rural e os fundos europeus têm tido um papel fundamental na modernização e competitividade da agricultura em Portugal. Sem estes instrumentos, muitas explorações agrícolas teriam maiores dificuldades em investir em tecnologia, aumentar a produtividade e adaptar-se às exigências ambientais e de mercado. Os fundos europeus funcionam como catalisador do investimento agrícola, enquanto a banca assume um papel essencial de facilitador, assegurando que as empresas e agricultores dispõem dos recursos financeiros necessários para a transformação dos apoios aprovados em projectos concretos, geradores de crescimento económico.
Como atrair jovens e garantir a renovação geracional no sector agrícola?
Uma forma de os atrairmos passa pela existência de perspectivas económicas sólidas. Acredito que existem alguns factores-chave que passarão pela combinação da rentabilidade, inovação tecnológica e acesso facilitado à terra e com um financiamento adequado. Reforçando estas condições poderemos reafirmar a agricultura não apenas como um sector tradicional, mas como uma actividade moderna, inovadora e com forte potencial para as gerações futuras.
Esse é o maior desafio?
O problema não se resume apenas à escassez de trabalhadores. O grande desafio é encontrar trabalhadores com as competências técnicas exigidas por uma agricultura cada vez mais moderna e tecnológica. Uma forma de fixar mão-de-obra tem de passar forçosamente pelo combinar de uma boa remuneração, com formação e investimento tecnológico, tendo como objectivo o alcançar a tão desejada estabilidade contratual.


