Pastelaria Bijou faz parte da história social da cidade e região de Santarém
Paulo Oliveira, actual proprietário das três casas Bijou, fala dos famosos Pampilhos, Celestes e Arrepiados e conta que até o 25 de Abril passou por ali.
A história da Pastelaria Bijou, em Santarém, começou com Alfredo Oliveira, um natural de Vila Nova da Barquinha, que há 78 anos foi para a capital de distrito assumir a exploração de uma pastelaria que funcionava no mesmo local e com o mesmo nome, no Largo do Seminário, pertencente a um empresário da cidade, tendo-a adquirido ao fim de dois anos.
Na época, a produção era feita numa pequena unidade localizada na Travessa dos Pasteleiros, no centro histórico de Santarém. Com o passar dos anos, a empresa foi evoluindo e, em 1982, a fábrica mudou-se para a Zona Industrial de Santarém, onde continua actualmente a funcionar. Toda a produção é feita internamente e destina-se exclusivamente às pastelarias Bijou, sem qualquer revenda a terceiros.
Em 1980, abriu a Bijou 2, na Avenida José Saramago, junto ao edifício que hoje alberga as Finanças. E a mais recente é a Bijou 3, adquirida há cerca de dez anos. O espaço já funcionava como pastelaria, embora com outra designação, e situa-se junto à Rotunda do Forcado, também em Santarém.
Paulo Oliveira, natural de Santarém, actual proprietário da pastelaria Bijou, em Santarém, acrescenta outros dados à história da Bijou, para reforçar a sua importância e ligação à sociedade local.
“Esta casa tem também um importante valor histórico. Foi palco de várias reuniões realizadas antes do 25 de Abril de 1974 e, em particular, de um encontro que decorreu na véspera da Revolução, reunindo alguns dos Capitães de Abril. Esse episódio encontra-se documentado e constitui um dos momentos marcantes da história da Bijou”.
Sobre os doces mais emblemáticos da Bijou, o empresário refere que existem três que, de certa forma, representam a cidade e a região: o Celeste, o Pampilho e o Arrepiado. Os três estão muito ligados à identidade gastronómica local, mas o Pampilho ganhou um destaque muito significativo e tornou-se o bolo mais vendido da casa. Criado pela Bijou no final da década de 1970 e registado como marca em 1982, é aquele que melhor simboliza o sucesso da pastelaria junto dos clientes.
Para além dos três mais destacados, a Bijou tem outros, como por exemplo a Pombinha, que é um doce tradicional das padarias de Santarém, cuja receita foi facultada por um antigo colaborador da antiga Sociedade de Padaria de Santarém. É, por isso, mais um produto representativo do Ribatejo e, de forma muito particular, de Santarém.
“A Bijou não se resume aos seus doces mais conhecidos. Para além destes, confeccionamos também uma vasta gama de bolos de pastelaria tradicionais de todo o país. O que fazemos todos os dias é apostar na qualidade. Essa preocupação começa na escolha dos fornecedores e das matérias--primas. O nosso objectivo nunca foi produzir ao preço mais baixo, mas garantir que cada produto sai com a qualidade que pretendemos. É essa filosofia que orienta o nosso trabalho. Todo o nosso produto é artesanal”, sublinha Paulo Oliveira.
“Ao longo de décadas, vimos passar várias gerações pela nossa casa. Primeiro vieram os avós, depois os filhos e, mais tarde, os netos. É muito gratificante perceber que a ligação à pastelaria, como ponto de encontro e convivência, se foi transmitindo de geração em geração e que continuamos a fazer parte da vida de tantas famílias”.


