Santarém: Estamos a fortalecer uma região de excelência
O Centro Vivo trata da experiência de quem já está aqui. O VivaMundo trata de trazer quem ainda não sabia que devia vir. Visitar a cidade passa a ser uma escolha.
Há quem julgue que o turismo em Santarém se resume ao que já existe - a Sé, o Tejo, as Portas do Sol - e que o trabalho de quem governa a cidade é, no máximo, conservar bem o que está feito. Não partilho dessa visão. Acredito que Santarém está, neste momento, a preparar uma transformação que vai mudar profundamente a forma como a cidade é vivida e visitada nos próximos anos.
O Centro Vivo - Programa de Investimentos para a Revitalização do Centro Histórico e da Ribeira de Santarém é, para mim, o primeiro sinal claro dessa mudança. Não é um programa de requalificação como tantos outros. É sim uma aposta deliberada em devolver vida ao Centro Histórico, em fazer com que as ruas que hoje fecham às sete voltem a ter comércio, esplanadas, pessoas a circular depois do jantar.
Um Centro Histórico não se preserva fechando-o em vitrine. Preserva-se vivendo-o, e é isso que estamos a construir.
O projecto VivaMundo, parque temático dedicado exclusivamente ao futebol, é, nesta mesma lógica, o passo mais ambicioso. Sei que, vindo de fora, pode parecer um projecto desproporcionado para uma cidade do nosso tamanho. Mas penso exactamente o contrário: é proporcionado à escala da nossa ambição. Um parque temático com a dimensão e a vocação internacional do VivaMundo não chega a Santarém para competir com o património que já temos — chega para multiplicar o número de pessoas que passam a conhecer esse património.
Quem vier ao parque por um dia perceberá que, a cinco minutos de distância, existe uma cidade cuja história remonta muito antes do início de Portugal como o conhecemos. E perceberá também, se ficar um pouco mais, que Santarém começa a estruturar-se para acolher esse prolongamento da estada com outra densidade.
A reabilitação de parte da antiga Escola Prática de Cavalaria para uma unidade hoteleira, e a recuperação do Presídio Militar para um projecto hoteleiro com carácter próprio, inscrevem-se nessa mudança silenciosa: não são apenas respostas de oferta, mas também peças de um modo mais amplo de posicionar a cidade no mapa do turismo contemporâneo, onde o destino se constrói tanto pela experiência como pela forma como é comunicado. É nessa permanência, discreta, mas decisiva, que o turismo deixa de ser passagem e passa a ser presença.
É esse o turismo que queremos para Santarém. Não o que se limita a gerir a procura que já existe, mas o que cria condições para que a cidade e o concelho sejam, de facto, procurados.
O Centro Vivo trata da experiência de quem já está aqui. O VivaMundo trata de trazer quem ainda não sabia que devia vir. Os dois projectos avançam em paralelo porque pertencem à mesma ideia: Santarém tem todas as condições para deixar de ser uma cidade que se visita por obrigação de passagem, e passar a ser uma cidade que se escolhe.
João Leite
Presidente da Câmara Municipal de Santarém


