O Ensino: se é complicado, só é necessário descomplicar!
O Ensino não é um processo fácil, nem para os professores nem para os alunos…, mas todos temos que nos reinventar e adaptar diariamente!
Vivemos no séc. XXI, época de inovações, transformações e constantes metamorfoses no nosso quotidiano, mas apesar de nada ser como era, existem questões que são sempre atuais e oportunas como é o caso do ensino, questão pertinente ao longo dos tempos e alvo de diferentes conjeturas.
Indo à essência da questão, o ensino é um processo sistemático, de transmissão e partilha de conhecimentos, competências e valores. Tratando-se de um processo, é algo que envolve diferentes fases e etapas, como a maturação e assimilação. É um processo que se estabelece na interação entre um professor (que orienta) e um aluno (que aprende), é a base fundamental da educação formal e do desenvolvimento intelectual e social, capaz de fornecer os fundamentos básicos para uma boa cidadania.
Adquirimos e modificamos conhecimentos, habilidades, valores e comportamentos através do estudo, da experiência e da observação. Este processo baseia-se na plasticidade do cérebro, exigindo estímulos, compreensão e revisão ativa para consolidar as informações e alterar conceitos.
Concordo com Piaget, importante biólogo, psicólogo e epistemólogo do séc. XX, conhecido pela revolucionaria teoria do desenvolvimento cognitivo “Epistemologia Genética”. Defende que a inteligência não é inata nem adquirida passivamente, o conhecimento é construído ativamente pelo aluno através da interação com o meio. O ensino deve respeitar os estágios de desenvolvimento, promovendo a curiosidade e o raciocínio em vez da memorização. Nos dias de hoje sabemos que a memorização também é importante, mas nada vale sem a compreensão.
O ensino deve ser um processo ativo e centrado no aluno, onde o conhecimento não é simplesmente transmitido, mas onde a confiança mútua entre os intervenientes do processo, assume um papel fundamental para o sucesso do mesmo.
Ensinar não é um processo fácil, contudo fica mais simples com a cumplicidade entre a família e a escola, ambas devem andar de mãos dadas!... Os pais são os primeiros professores dos seus filhos!... Assim é importante que se tenha uma especial atenção para os exemplos que se dão e para com as palavras que se proferem, o tom de voz que se utiliza e os estímulos que colocamos à disposição das nossas crianças em qualquer etapa do seu desenvolvimento.
No meu dia a dia e na instituição que dirijo aplicamos a pedagogia de “Jean Piaget” e de “Montessori”. Não são pedagogias antagónicas, ambas estão centradas no indivíduo e nos estímulos para que possa desenvolver pela compreensão o seu processo de aprendizagem.
É indispensável o equilíbrio e harmonia individual no ensino, para que o possamos projetar no futuro de uma forma mais globalizante no seu todo e em qualquer situação.
Concordo plenamente com Maria Montessori, médica e pedagoga italiana do séc. XIX e XX, que acreditava num ensino centrado na criança, na sua autonomia, no respeito pelo ritmo natural de cada um e na “liberdade com limites”. O ensino deveria proporcionar á criança um ambiente em que a mesma pudesse expressar a sua personalidade – isto sim, é um ensino consciente!
Em pleno séc. XXI o ensino não é um processo fácil, nem para os professores nem para os alunos…, mas todos temos que nos reinventar e adaptar diariamente!
Defendo um ensino que possa absorver todas estas componentes de uma forma simples: Se é complicado, só é necessário descomplicar!!!
Ana Gaspar
Diretora do Colégio Jardinita - Alcanede


