Especiais | 06-08-2026 15:00

Música, toiros e sardinha assada: as festas de Samora Correia estão aí durante seis dias

Música, toiros e sardinha assada: as festas de Samora Correia estão aí durante seis dias
ESPECIAL FESTAS DE SAMORA CORREIA
Festa brava é um dos pontos altos das festas em honra de Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora de Guadalupe em Samora Correia - foto arquivo O MIRANTE

As festas em honra de Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora de Guadalupe decorrem em Samora Correia durante seis dias, cruzando religiosidade e um diversificado programa de animação com nomes sonantes da música popular. Toy, Sangre Ibérico, Miguel Azevedo, Bia Caboz e Los Romeros vão estar em palco e não vão faltar também a festa brava e a sardinha assada.

Toy, Sangre Ibérico, Miguel Azevedo, Bia Caboz e Los Romeros são os principais nomes do cartaz das Festas de Samora Correia, que decorrem entre 12 e 17 de Agosto, em honra de Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora de Guadalupe. O programa abre na quarta-feira, Dia do Samoreno, com um cortejo de cavaleiros amadores trajados a rigor, que acompanha as imagens de Nossa Senhora de Guadalupe e de São João Batista desde a Avenida “O Século” até à Igreja Matriz, a partir das 21h00. A abertura oficial está marcada para as 23h00, na Praça da República, seguindo-se, meia hora depois, uma passagem de vacas e uma largada de toiros, momento que se vai repetir em vários dias da fesra.
A quinta-feira é dedicada às tertúlias e inclui uma garraiada e uma entrada de toiros com campinos e cavaleiros amadores. A noite musical começa com Os Paulus, seguindo-se Toy e Zé Pedro Sousa. No Dia do Emigrante, sexta-feira, 14, o Grupo Sabor Flamenco, Ritmos da Noite e Sangre Ibérico garantem a animação musical.
O sábado, Dia do Campino, concentra alguns dos momentos mais ligados à identidade rural das festas. A manhã começa com a bênção do gado, junto ao pavilhão da Associação Recreativa e Cultural Amigos de Samora, seguindo-se provas de perícia de cabrestos e gado e de maneio de gado. À tarde, a partir das 15h30, campinos, marialvas, cavaleiros amadores, ranchos e outros participantes concentram-se junto às bombas da Galp para o desfile etnográfico, que começa e termina no Largo do Calvário. A homenagem ao campino Júlio Guilherme realiza-se também nessa tarde, após a entrega do prémio da prova de perícia de campinos.
A noite de sábado inclui um festival de folclore e o tradicional Arraial da Sardinha Assada. Bruno China, Deix’Andar e Tiago Miguel actuam no Largo do Calvário, seguindo-se Miguel Azevedo e o DJ Miguel Morais. A Fonte dos Escudeiros recebe também uma noite de fado amador apresentada por Piedade Salvador.
O domingo, Dia da Padroeira, fica marcado pelas celebrações religiosas. A missa em honra de Nossa Senhora da Oliveira realiza-se às 11h00. Durante a tarde, o cortejo de Nossa Senhora de Alcamé, acompanhado pela Sociedade Filarmónica União Samorense, antecede uma oração de louvor e a grande procissão com todas as imagens em honra da padroeira. À noite, a música estará a cargo de Ana Rita D’Água e de Bia Caboz.
As festas terminam na segunda-feira, Dia da Juventude. O programa inclui um encierro para crianças e uma entrada destinada a jovens campinos e cavaleiros amadores seguida de largada de toiros. À noiterealiza-se uma corrida de toiros de homenagem ao coudelheiro Manuel Braga. Telmo Falcão e Los Romeros encerram a lista de espectáculos musicais.

Entradas de toiros no Largo do Calvário são marca das Festas de Samora Correia

As tradicionais entradas de toiros conduzidas por campinos a cavalo, pelas características do Largo do Calvário e das ruas envolventes, distinguem as Festas de Samora Correia. O campo foi entrando progressivamente na vivência das festividades através do maneio do gado, das esperas de toiros, da picaria à vara larga, das tentas e dos jogos de cabrestos. As primeiras esperas de que há memória realizavam-se na Rua Clara Passos Esteves e no Largo do Arneiro, antes de o Calvário se afirmar como um dos locais centrais da festa. Durante muitos anos, os toiros eram recolhidos depois de serem laçados à corda. As entradas com campinos surgiram apenas no final da década de 1970, tornando estes homens figuras centrais das celebrações. Desde 1980, existe um dia dedicado ao campino e um momento de homenagem, tendo João “Toureiro” sido o primeiro a receber essa distinção.
A festa esteve interrompida durante cerca de uma década, sobretudo nos anos 40, sendo retomada em 1951 por uma comissão feminina. Nesse ano foi organizada uma corrida de toiros numa praça improvisada com paus de eucalipto e placas de zinco, onde actuaram, entre outros, a cavaleira Maria Mil Homens e o toureiro António José de Oliveira.
A devoção religiosa acompanha igualmente a história das celebrações. Nossa Senhora da Oliveira é a padroeira de Samora Correia, mas, nos anos 50, o padre João Pires de Campos introduziu também nas festas Nossa Senhora de Guadalupe, uma imagem de origem espanhola associada aos lavradores e tapadeiros. A celebração conjunta das duas imagens mantém-se até aos dias de hoje.

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