Especiais | 07-09-2026 15:08

Festas da Póvoa ganham nova comissão e recuperam espírito associativo

Festas da Póvoa ganham nova comissão e recuperam espírito associativo
ESPECIAL PÓVOA DE SANTA IRIA
Fernando Barrinho, presidente da ACAPSI, e Diogo Gonçalves, vice-presidente da comissão de festas, no recinto onde vão decorrer as Festas da Póvoa de Santa Iria - foto O MIRANTE

Depois de vários anos de organização por empresas privadas, as Festas da Póvoa de Santa Iria voltam a ser preparadas pelo movimento associativo. A comissão recupera a entrada de touros com campinos e cavaleiros e conseguiu aumentar a área do recinto. A programação inclui ainda a tradicional Bênção dos Barcos Avieiros e um fogo-de-artifício especial no encerramento.

Depois de vários anos em que as Festas da Póvoa de Santa Iria foram organizadas por empresas privadas, o movimento associativo voltou este ano a assumir um papel central na preparação do evento. A Comissão de Festas da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa formou-se entre o final de Abril e o início de Maio e, depois de organizar as Festas do Forte da Casa, lançou-se na preparação da 38.ª edição das Festas da Póvoa de Santa Iria, que este ano recupera algumas tradições. Uma das novidades é a realização da entrada de touros com campinos e cavaleiros, na rua entre os armazéns e a linha de comboio, para além das largadas no recinto das festas, em terrenos cedidos para o efeito pela Teixeira Duarte, empresa que está a construir os edifícios da urbanização Vila Rio, na zona ribeirinha da cidade. Este ano, a empresa autorizou a ampliação da festa e, por isso, uma parte do terreno que não foi usada na festa do ano passado vai ser usado nesta edição, de 3 a 6 de Setembro. Outra das novidades é que o encerramento da festa, domingo, às 00h00, terá um fogo-de-artifício especial que promete impressionar a população.
A comissão de festas integra representantes da Associação Cultural Avieiros da Póvoa de Santa Iria (ACAPSI), da Associação Cultural da Póvoa de Santa Iria, da Associação de Reformados e Pensionistas do Forte da Casa, do Vespa Moto Clube da Póvoa, dos Escoteiros e dos Escuteiros da cidade, contando ainda com a participação das paróquias da Póvoa de Santa Iria e do Forte da Casa.
O regresso do movimento associativo à organização é importante não apenas pela repartição do trabalho, mas também pela ligação entre as festas e a população. “É muito importante sermos pessoas da terra a preparar estas festas”, considera Diogo Gonçalves, vice-presidente da comissão, acrescentando que têm sentido uma reacção positiva das pessoas desde que o cartaz começou a ser divulgado.
As quatro associações que têm tasquinhas na festa contribuem financeiramente, mas Diogo Gonçalves diz que o valor pago é actualmente mais simbólico e inferior ao praticado para particulares. A organização explica que todos têm de contribuir para suportar os custos de um evento desta dimensão.
A comissão de festas não tem ainda um orçamento final fechado. Diogo Gonçalves explica que a União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa presta um apoio importante, à semelhança do que acontecia quando as festas eram organizadas por empresas privadas, assumindo algumas responsabilidades e disponibilizando meios humanos e materiais. A organização da componente de espectáculos, artistas, audiovisuais e logística fica a cargo da comissão. A junta presta apoio e assume determinados custos, mas cabe à comissão angariar e assegurar os valores necessários para os restantes encargos.

Policiamento alargado
Entre as despesas mais pesadas está a segurança e os encargos com a PSP, considerados fundamentais para garantir a segurança do público. Uma das novidades será a presença de policiamento na ponte pedonal junto à estação ferroviária, uma medida que não existiu em anteriores edições das festas.
A comissão sabe que a organização das festas será inevitavelmente alvo de críticas. Os responsáveis dizem estar preparados para as receber, desde que sejam críticas construtivas e acompanhadas, sempre que possível, de sugestões. A mensagem é particularmente dirigida às críticas feitas nas redes sociais. A comissão considera que é fácil apontar defeitos através de uma publicação ou atrás de um teclado, mas mais útil será apresentar propostas concretas e participar. Para quem se deslocar às festas de automóvel, a organização destaca a existência do novo parque de estacionamento junto à estação ferroviária, com mais de 500 lugares, além da Avenida das Salinas, onde também existem lugares disponíveis.

Programa quer chegar às diferentes gerações

A programação das Festas da Póvoa de Santa Iria foi pensada para tentar chegar a diferentes públicos. A comissão procurou distribuir a oferta por várias faixas etárias, reconhecendo que é impossível agradar a toda a gente. Diogo Gonçalves dá como exemplo a actuação do artista popular Saúl, dirigida a um público mais adulto, e a programação de domingo, com a actuação, às 22h00, de Blaya, pensada para os jovens. Do cartaz musical fazem ainda parte a cantora Ana Duarte e a Banda Dee Jokers, além dos DJ Pedro Diaz, Hugh e Tó Neves. A componente musical vai ainda ser assegurada pela “prata da casa”, com o Grupo de Música Popular Portuguesa do CPCD, o Festival Folclórico e o grupo popular “Flor de Chá”. Além dos espectáculos, o programa inclui os tradicionais divertimentos para crianças e adultos, farturas, tasquinhas de comida e bebida, expositores de artesanato e sardinha assada na sexta-feira, às 22h00. Na componente religiosa, a Bênção dos Barcos Avieiros no Tejo, marcada para sábado, às 21h00, é sempre um dos momentos mais apreciados e emotivos da festa. A procissão em honra de Nossa Senhora da Piedade, padroeira da Póvoa de Santa Iria, sai da capela de Nossa Senhora da Piedade e percorre as ruas da cidade, domingo, pelas 17h00.

Mais associações podem dar mais força às festas

Fernando Barrinho, presidente da ACAPSI e membro da comissão de festas, defende que há capacidade para as festas crescerem, até porque existem pessoas com conhecimentos e competências para fazer mais pelo certame anual. Para os responsáveis, o objectivo não é apenas organizar uma edição das festas, mas criar uma estrutura capaz de continuar a trabalhar e de recuperar progressivamente o peso que o movimento associativo teve noutras épocas. Fernando Barrinho sublinha ainda que a comissão pretende assumir-se como uma estrutura apartidária e não como uma organização ligada exclusivamente a uma determinada junta de freguesia. Fazem, por isso, um convite a outras colectividades para se juntarem à comissão. Quanto mais associações participarem, defendem, maior será a capacidade para organizar eventos mais ambiciosos. E recordam que os avieiros estiveram ligados à fundação das Festas da Póvoa e considera que a presença da componente avieira nas festas mantém, por isso, um significado especial.

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