Especiais | 10-09-2026 14:00

Desafios do regresso às aulas e os seus diferentes significados

Desafios do regresso às aulas e os seus diferentes significados
ESPECIAL REGRESSO ÀS AULAS
Susana Ponciano - foto DR

A SP Clínica, em Almeirim, integra profissionais de Psicologia, Terapia da Fala e Osteopatia

Com a aproximação do final das férias e o início de setembro, começa a azáfama do regresso às aulas. Para muitas crianças e jovens, este é um momento vivido com entusiasmo e alegria: é tempo de reencontrar os amigos, voltar às rotinas e estar novamente com professores que admiram e que, em muitos casos, se tornaram pessoas de referência e confiança. Para outros, porém, o regresso pode trazer preocupações, ansiedade ou dificuldades.
O início do ano letivo não significa apenas retomar horários e responsabilidades. Para muitas famílias, implica também despesas acrescidas e novos desafios. Estas preocupações podem igualmente refletir-se nas crianças e nos jovens, influenciando a forma como vivem a escola e a aprendizagem.
Nem todos gostam da escola, têm facilidade em aprender ou encontram nela um espaço simples de integração. Dificuldades académicas, problemas nas relações com os pares, ansiedade ou situações familiares complexas podem manifestar-se através de isolamento, irritabilidade, desmotivação, dificuldades de concentração ou resistência em ir às aulas.
Nem sempre é fácil perceber o que está por detrás destes comportamentos. Um aluno aparentemente desinteressado ou desafiante pode estar a lidar com dificuldades emocionais ou familiares que desconhecemos. Por vezes, aquilo que parece falta de vontade é, na realidade, dificuldade em lidar com aquilo que se está a sentir.
Também pode acontecer o contrário. Para um jovem que vive num ambiente familiar difícil, a escola pode representar um espaço de segurança, liberdade e expressão. Em contextos de maior vulnerabilidade económica, pode inclusivamente garantir uma refeição diária, assumindo um papel essencial no bem-estar e na proteção da criança ou do jovem.
Por isso, olhar para um aluno implica ir além do comportamento que observamos. É necessário conhecer a sua história, as suas circunstâncias e aquilo de que precisa. Ao mesmo tempo, importa não esquecer que a escola é, para muitos, um lugar de descoberta, aprendizagem, amizade e relações significativas.
Também professores e escolas iniciam o ano letivo com os seus próprios desafios. Novas turmas, horários e responsabilidades nem sempre permitem identificar imediatamente as necessidades de cada aluno. Muitas vezes, é através do tempo, da convivência e da construção de relações de confiança que essas necessidades se tornam mais claras.
O regresso às aulas pode, assim, ser uma oportunidade para observar, escutar e conhecer melhor. Perguntar não apenas o que preocupa, mas também o que entusiasma; não apenas aquilo que está a correr mal, mas também aquilo que faz cada criança ou jovem gostar de estar na escola.
Nem todos regressam da mesma forma, e compreender essas diferenças é essencial para que a escola seja um espaço de aprendizagem, mas também de segurança, pertença e desenvolvimento.
Porque, muitas vezes, aquilo de que uma criança ou jovem precisa não é de uma resposta imediata, mas de um adulto disponível para olhar, escutar e compreender o que está para além do comportamento.
* Texto da responsabilidade da SP Clínica

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