Especiais | 11-10-2026 13:00

Rodoviária do Tejo tem crescido de forma sólida apesar dos constrangimentos

Rodoviária do Tejo tem crescido de forma sólida apesar dos constrangimentos
REVISTA 1000 MAIORES EMPRESAS
Jaime Pinheiro, administrador da Rodoviária do Tejo - foto O MIRANTE

Administrador Jaime Pinheiro alerta para o elevado risco de colapso de políticas largamente subsidiadas pelo Estado e respetivas autoridades de transporte.

A Rodoviária do Tejo (RT), empresa de transporte de passageiros, com sede em Torres Novas, apesar de chegar a diversos destinos dentro e fora de Portugal, concentra as suas bases operacionais nas regiões da Lezíria do Tejo, Médio Tejo, Oeste e Leiria. Ao longo de várias décadas foi tendo diversas denominações, mas sempre com uma identidade comum, pautada por uma forte cultura empresarial.
A RT dedica-se principalmente ao transporte público regular, operado por diversas empresas constituídas para o efeito. Mantém também uma forte presença nos segmentos de aluguer ocasional e de turismo, no serviço de expresso e no serviço regular internacional.
No âmbito do serviço de transporte público, a RT tem como cliente institucional as autoridades de transporte, municípios e comunidades intermunicipais, e como cliente final todos os passageiros que utilizam a rede de transporte público.
No que diz respeito à actividade de serviço comercial, trabalha com diversas entidades públicas e privadas que procuram soluções de mobilidade, tais como empresas, escolas, associações e clientes particulares. No serviço de expresso, a RT é um operador importante da Rede Nacional de Expressos.
A empresa tem constrangimentos a vários níveis. Desde logo a dificuldade enorme que em captar e reter trabalhadores. É um tema transversal a todos os mercados actualmente, mas particularmente grave nos sectores que dependem muito da força de trabalho humano e da sua especialização, como é o caso dos motoristas e técnicos de manutenção.
Outro grande problema que as empresas de transportes têm nas suas contas de exploração é o combustível. A escalada de preços que se tem vindo a observar de forma aparentemente imprevisível e descontrolada, tem um impacto muito severo, chegando a pôr em causa a sobrevivência dos operadores.
Por fim, o modelo de financiamento com que as autoridades de transporte remuneram os operadores de serviço público é manifestamente desajustado, provocando graves problemas de sustentabilidade económica e financeira nos contratos de serviço público.
O conjunto de empresas que actualmente compõem o Grupo RT conta com cerca de 860 trabalhadores, dos quais 80% são motoristas. A captação e retenção de pessoas é um factor crítico de sucesso e para ir ao encontro dessa nova realidade, a empresa procura transmitir aos seus trabalhadores a sua cultura, os seus valores, essencialmente, a sua identidade.
A empresa tem-se empenhado em oferecer algumas regalias que vão para além da vertente monetária do salário, como a atribuição de planos de saúde, o acesso a protocolos com empresas de serviços que beneficiem os trabalhadores na sua vida pessoal e familiar. Na dimensão psicossocial, temos em curso alguns projectos conduzidos por quadros internos com formação diferenciada na área da psicologia do trabalho.
O sector do transporte público em Portugal está a atravessar um momento de grande mudança. Com o objectivo “cego” de aumentar o número de passageiros, temos vindo a assistir à adopção de políticas largamente subsidiadas pelo Estado e respectivas autoridades de transporte, cuja sustentabilidade económica deixa grandes reservas, com elevado risco de colapsar no médio prazo.

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