Rodoviária do Tejo tem crescido de forma sólida apesar dos constrangimentos
Administrador Jaime Pinheiro alerta para o elevado risco de colapso de políticas largamente subsidiadas pelo Estado e respetivas autoridades de transporte.
A Rodoviária do Tejo (RT), empresa de transporte de passageiros, com sede em Torres Novas, apesar de chegar a diversos destinos dentro e fora de Portugal, concentra as suas bases operacionais nas regiões da Lezíria do Tejo, Médio Tejo, Oeste e Leiria. Ao longo de várias décadas foi tendo diversas denominações, mas sempre com uma identidade comum, pautada por uma forte cultura empresarial.
A RT dedica-se principalmente ao transporte público regular, operado por diversas empresas constituídas para o efeito. Mantém também uma forte presença nos segmentos de aluguer ocasional e de turismo, no serviço de expresso e no serviço regular internacional.
No âmbito do serviço de transporte público, a RT tem como cliente institucional as autoridades de transporte, municípios e comunidades intermunicipais, e como cliente final todos os passageiros que utilizam a rede de transporte público.
No que diz respeito à actividade de serviço comercial, trabalha com diversas entidades públicas e privadas que procuram soluções de mobilidade, tais como empresas, escolas, associações e clientes particulares. No serviço de expresso, a RT é um operador importante da Rede Nacional de Expressos.
A empresa tem constrangimentos a vários níveis. Desde logo a dificuldade enorme que em captar e reter trabalhadores. É um tema transversal a todos os mercados actualmente, mas particularmente grave nos sectores que dependem muito da força de trabalho humano e da sua especialização, como é o caso dos motoristas e técnicos de manutenção.
Outro grande problema que as empresas de transportes têm nas suas contas de exploração é o combustível. A escalada de preços que se tem vindo a observar de forma aparentemente imprevisível e descontrolada, tem um impacto muito severo, chegando a pôr em causa a sobrevivência dos operadores.
Por fim, o modelo de financiamento com que as autoridades de transporte remuneram os operadores de serviço público é manifestamente desajustado, provocando graves problemas de sustentabilidade económica e financeira nos contratos de serviço público.
O conjunto de empresas que actualmente compõem o Grupo RT conta com cerca de 860 trabalhadores, dos quais 80% são motoristas. A captação e retenção de pessoas é um factor crítico de sucesso e para ir ao encontro dessa nova realidade, a empresa procura transmitir aos seus trabalhadores a sua cultura, os seus valores, essencialmente, a sua identidade.
A empresa tem-se empenhado em oferecer algumas regalias que vão para além da vertente monetária do salário, como a atribuição de planos de saúde, o acesso a protocolos com empresas de serviços que beneficiem os trabalhadores na sua vida pessoal e familiar. Na dimensão psicossocial, temos em curso alguns projectos conduzidos por quadros internos com formação diferenciada na área da psicologia do trabalho.
O sector do transporte público em Portugal está a atravessar um momento de grande mudança. Com o objectivo “cego” de aumentar o número de passageiros, temos vindo a assistir à adopção de políticas largamente subsidiadas pelo Estado e respectivas autoridades de transporte, cuja sustentabilidade económica deixa grandes reservas, com elevado risco de colapsar no médio prazo.


