Especiais | 16-10-2026 10:00

O país precisa de menos centralismo e mais respeito por quem trabalha e cria riqueza

O país precisa de menos centralismo e mais respeito por quem trabalha e cria riqueza
ESPECIAL GALARDÃO EMPRESA DO ANO
Joana Salgado Emídio criticou a incapacidade do Estado para assegurar serviços públicos essenciais - foto O MIRANTE

Joana Salgado Emídio, directora executiva de O MIRANTE, defendeu a regionalização, criticou a concentração de poderes em Lisboa e alertou para a falta de respostas do Estado em áreas como a saúde, a educação e a protecção do território. Na abertura da gala do Galardão Empresa do Ano destacou a resistência dos empresários e a importância de uma comunicação social de proximidade.

A necessidade de políticas públicas que defendam as populações e os territórios, a urgência da descentralização e da regionalização e o papel dos empresários na construção de uma sociedade mais justa marcaram o discurso de Joana Salgado Emídio na abertura da 26ª edição do Galardão Empresa do Ano de O MIRANTE. A cerimónia decorreu na quinta-feira, 8 de Outubro, no Convento de São Francisco, em Santarém, perante cerca de 300 convidados, entre empresários, autarcas e representantes de instituições da região.
A directora executiva de O MIRANTE começou por destacar a capacidade de resistência do jornal e a união em torno de objectivos de serviço público, sublinhando que a iniciativa pretende também valorizar o tecido empresarial do Ribatejo e as pessoas que fazem a diferença na economia regional. Recordou que o Galardão Empresa do Ano nasceu de uma conversa com José Eduardo Carvalho, presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), na altura presidente da Nersant.
Joana Salgado Emídio não deixou de fazer uma leitura crítica da situação do país e das dificuldades que afectam famílias e empresas, sublinhando que o país está “a atravessar uma crise que afecta tudo e todos”. Mas “em tempo de crise os mais fortes resistem com mais facilidade”, afirmou, apontando Espanha como exemplo de um país que, apesar das suas tensões políticas e regionais, consegue adoptar medidas de apoio à economia e à população. Referiu, entre outros aspectos, a redução do IVA nos combustíveis, as políticas de educação e os apoios à comunicação social.
A ausência de uma verdadeira reforma administrativa do Estado e a resistência à regionalização estiveram entre as críticas mais fortes da intervenção. A directora executiva de O MIRANTE considerou que Portugal continua excessivamente dependente das decisões tomadas em Lisboa, sem capacidade para dar respostas adequadas às necessidades dos territórios. Questionou também sucessivas reformas do ensino, as políticas de imigração e as limitações na formação de médicos e advogados, deixando críticas à falta de coerência de algumas decisões políticas.

Um jornal próximo que ultrapassa as fronteiras da região

A propósito da importância da comunicação social regional, Joana Salgado Emídio revelou que Paris é a quinta cidade onde O MIRANTE é mais lido, segundo dados da Marktest, uma realidade que relacionou com a presença de uma numerosa comunidade portuguesa na área metropolitana da capital francesa. Sublinhou que o jornal mantém a sua identidade assente nas notícias de proximidade e na ligação às populações de um território que faz fronteira com Lisboa, onde se concentra uma parte significativa da população portuguesa.
Foi a partir dessa realidade que questionou a incapacidade do Estado para assegurar serviços públicos essenciais, considerando incompreensível que continuem a nascer crianças em ambulâncias por falta de respostas adequadas nas maternidades e defendeu uma maior valorização dos professores, lembrando que são eles que formam as gerações responsáveis pelo futuro das empresas, das instituições e da sociedade.
Joana Salgado Emídio recordou que estavam na sala 17 presidentes de câmara, muitos outros autarcas e gestores de empresas de sucesso que, apesar dos obstáculos impostos pela centralização administrativa e pela falta de regionalização, continuam a investir, a criar riqueza e a desenvolver o território. Aproveitando a presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, deixou um apelo à regionalização e considerou que a descentralização é também fundamental para garantir uma comunicação social mais representativa das diferentes realidades do país.
A defesa do rio Tejo e das populações ribeirinhas foi outro dos pontos centrais do discurso, com Joana Salgado Emídio a alertar para a vulnerabilidade das margens do rio perante as cheias e para os prejuízos que estas provocam nas comunidades e na agricultura, reclamando uma intervenção mais eficaz do Estado. “Portugal precisa de políticas que ajudem a defender as margens do Rio Tejo, que com uma simples cheia dá cabo da vida de muita gente e arrasa as terras de cultivo”, salientou.
Na mesma intervenção, voltou a defender o reforço da formação de médicos para garantir o funcionamento das maternidades, um IAPMEI verdadeiramente ao serviço dos empresários e serviços públicos com funcionários suficientes para responder às necessidades dos cidadãos. A directora executiva de O MIRANTE terminou a reflexão com uma defesa dos valores de Abril e da responsabilidade do Estado democrático perante as populações, criticando os políticos “que acham que o 25 de Abril foi um pesadelo e não um sonho”.

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